sexta-feira, 8 de abril de 2011

O atirador de Realengo

Até quando?

No dia 23 de outubro de 2005, o Brasil realizou um plebiscito para saber a opinião da população sobre o Estatuto do Desarmamento.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, foi a maior consulta popular do mundo: cerca de 125 milhões de pessoas foram às urnas para votar. Resultado: a maioria, 63,94%, votou contra o desarmamento. E 36,06% à favor.

Com a vitória contundente do “não”, o cidadão comum manteve o direito de comprar e portar arma de fogo legalmente.

O problema é que, segundo pesquisa da ONG Viva Rio, no Brasil circulam 16 milhões de armas. Desse total, só dois milhões estão com as forças de segurança: militares e policiais. Todas as outras estão nas mãos de civis. E cerca de 7,6 milhões são ilegais.

Seis anos depois do plebiscito, duas dessas armas ilegais chegaram às mãos do atirador de Realengo. Uma, calibre 38, tem o número de série raspado. A outra, calibre 32, segundo informações do “JN”, fora roubada de um cidadão comum há quase 18 anos.

Como o atirador de Realengo conseguiu essas armas, ninguém ainda sabe.

Mas que tal se aqueles que votaram contra o desarmamento refletissem por um instante e respondessem novamente à questão apresentada no referendo de 2005: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”.

Se a resposta da maioria à essa pergunta simples tivesse sido “sim”, talvez o massacre ocorrido na escola do Rio fosse evitada. Talvez o atirador de Realengo jamais conseguisse ter acesso a armas que circulam por aí sem controle algum. Talvez...

Nessa história triste, a única certeza que temos é que armas de fogo matam. São produzidas com a única finalidade de matar. E, nas mãos erradas, causam tragédias. 

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