quinta-feira, 7 de abril de 2011

O jornalista Wikipedia

O jornalista

Sou jornalista de formação. Ou melhor: de má formação. A faculdade que frequentei durante longos 4 quatro anos era uma merda. Tenho diploma. Mas meu diploma não serve pra nada. Ou melhor: serve pra limpar a bunda.

Em 2009, por 8 votos a 1, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram que o diploma de jornalismo não é obrigatório para exercer a profissão. Ou seja: qualquer Mané pode ser “jornalista”. Eu, você, a Carla Perez.

Pensando bem, a decisão dos ministros do Supremo foi sábia.

Afinal, pra que estudar? Hoje, pra ser “jornalista”, basta acessar a Wikipedia, ouvir a opinião de alguns especialistas, misturar tudo e – ploft! – reportagem finalizada!

Mais: de que adianta aprender “ética jornalística” e “compromisso com a verdade” se, ao ingressar na profissão, o que vai prevalecer mesmo é o compromisso monetário com a empresa que você trabalha. É tudo money, baby!

Precisamos sobreviver. E, para isso, vendemos “notícia” como se fosse coxinha. Pare de se enganar: notícia é produto, leitor é consumidor e a verdade é sempre um ponto de vista baseado no intere$$e.

Liberdade de imprensa? Sim. Livre pensar? Depende.

4 comentários:

  1. Acho um absurdo exigir diploma para jornalistas. É o mesmo que exigir diploma de atores, músicos, escritores, tradutores. Essas funções podem perfeitamente ser exercidas por autodidatas. Eu que o diga.

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  2. Mandei o link dessa postagem pra uma amiga minha estudante de jornalismo. A mesma que me pediu dez caricaturas de graça, pra uma revista da faculdade dela, e ouviu do coordenador do curso que eu deveria ser remunerado pelo trabalho apenas com meu crédito na matéria... Pensando bem, ela merece. Quem tem os mil reais mensais de uma faculdade pagos pela mamãe não tem noção de realidade mesmo.

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  3. Oi Érico, sou jornalista, professora de jornalismo e ex-aluna da Universidade Metodista de Piracicaba, a qual minha mãe e meu pai pagaram com muito suor, além de pagarem a minha vida em Piracicaba, onde morava em república e saia de segunda a segunda, gastando dinheiro em bares(baratos,claro. Afinal, jornalista gosta é de buteco)e em festinhas das boas.
    Talvez, para você, isso faça de mim um pouco menos jornalista, mas saiba que ter a faculdade paga pela mamãe não tira a noção de realidade de ninguém. O que tira a noção de realidade das pessoas é a vontade e a disposição para o senso comum e para a alienação, e isso independe de dinheiro, pode ter certeza.
    Durante anos pude observar, entre os meus alunos, diferentes tipos de jornalistas críticos, entre eles os "filhinhos de papai", como eu, e os "bolsistas" que ralam muito para conseguirem seus diplomas.
    Diplomas que o mercado valoriza, independente de exigência. Engano seu dizer que qualquer um pode ser jornalista, pois o mercado está cada vez mais exigente e, embora hoje as inovações tecnológicas tenham deixado os conteúdos jornalisticos mais superficiais, tem muito jornalista bom no mercado, que faz direitinho o processo de apuração e de pesquisa e que zela por suas produções pq honra o seu nome e não quer ver sua credibilidade no ralo.
    Tome cuidado com a sua noção de realidade pois os jornalistas que trabalham e que dão o sangue por uma reportagem bem feita não merecem ser incluídos no seu "ploft" de reportagem finalizada. Aliás, quantos jornalistas você contatou e entrevistou para escrever as afirmações do seu texto?Elas são baseadas em qual profissional, você? Jornalistas que trabalham em redações, em assessorias, frelas...que ralam e suam a camisa em busca de uma boa pauta e uma boa matéria não merecem ver tamanha desvalorização de seus trabalhos.
    Outra coisa, tenha mais cautela com o que você escreve e da forma como escreve. Eu fui aluna do professor que hoje é o coordenador de Jornalismo da UNimep, você pode não ter recebido pelo seu trabalho,pois a faculdade costuma mesmo ter a iniciativa de divulgar o trabalho das pessoas, mas infelizmente não pode pagar por isso, existe muita burocracia e muita coisa seria travada se tivesse que ser paga. Mas eu duvido que ele tenha falado que o seu pagamento seria o seu crédito, tenho certeza que ele orientou a aluna que colocariam o seu crédito nas caricaturas...
    Quanto sua opinião, sr. Johann, discordo um pouco. Reconheço muitos jornalistas sérios que nào passaram pelo curso, mas é preciso ter cuidado com isso também.Jornalismo não é arte, jornalismo não é ficção. O jornalismo pode mudar a vida das pessoas e dependendo da forma como esse ofício é conduzido pode transformar a realidade da sociedade. Jornalismo é prestação de serviços e vigilância do poder público, pra isso a gente não precisa de dom, a gente precisa de coragem e técnica. A faculdade proporciona isso.
    Saudações,
    Raquel Tardelli Mtb: 40276/SP

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  4. Cara Raquel, já que você faz questão de esfregar seu MTb na minha cara, te aviso que não sou nenhum novato na área do jornalismo.

    Tenho duas décadas como profissional na área do humor gráfico, exercida principalmente em jornais e revistas. Tenho diploma como radialista locutor pelo Senac. E fui editor de diversos jornais de humor, tão jornalísticos quanto qualquer jornal.

    Já passei pela situação descrita no meu comentário em outros momentos, empresas e instituições. Opiniões são discutíveis, sempre, mas cada um sabe onde seu calo aperta.

    Se você sentiu-se pessoalmente atingida pela minha indignação, saiba que ela não foi dirigida a você em especial.

    Quanto a "tomar cuidado" com o que digo ou deixo de dizer, eu sempre penso numa frase de Nelson Rodrigues em momentos de polêmica como este, ainda que involuntária: "Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera".

    Eu sempre estou disposto a pedir desculpas por ser grosseiro em opiniões, mas não me sinto obrigado a pedir desculpas por simplesmente emitir minha opinião. Lamento que sua interpretação das minhas palavras se resuma a me desautorizar, a me "colocar no meu lugar". Paciência.

    Saudações também.

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