quarta-feira, 6 de abril de 2011

A "maldição" da homossexualidade

Homossexualidade: modo natural de ser

Década de 1960: quando ainda era uma garota assustada perambulando por Nova York, Patti Smith achava que “um homem virava homossexual quando não havia encontrado uma mulher que o salvasse”. A cantora escreveu isso em seu livro, “Só Garotos” (Companhia das Letras, 2010).

De lá pra cá, mais de meio século se passou e ainda tem gente que pensa assim. Pensa que “viramos” homossexuais por sem-vergonhice. Que podemos ser “salvos” por uma mulher ou por um pastor ou por um psiquiatra truqueiro. Ex-gay? Conversa pra boi dormir.

Depois, Patti percebeu que “a homossexualidade é um modo natural de ser”. Sim, Patti, é natural. Mas todo homossexual vive a “maldição” de ser homossexual.

Não adianta a gente se esconder sob a ideia ingênua de que A Família Brasileira já está preparada para aceitar a homossexualidade numa boa. Não, não está.

A Família Brasileira é papa-hóstia, frequentadora assídua de missas e cultos religiosos. A Família Brasileira não quer ver beijo gay em telenovela. A Família Brasileira ainda vive na pré-história, por onde circula um predador perigoso: o Bolsonarossauro.

É por essas e outras que a gente ainda vai ter que rebolar muito a bunda até romper com o preconceito. Se é que, um dia, esse preconceito será rompido.

Descobrir-se homossexual é descobrir que você terá que conviver a vida inteira com uma espécie de “maldição”, sempre em desacordo com a conduta padrão e com a pecha de ovelha negra da família. Assim é. Sou gay. Conheço bem as dores e as delícias de ser gay. E, pra falar a verdade, hoje sinto certo orgulho de não pertencer à “irmandade hétero”.

Se ser homossexual é ser “marginal”, se ser homossexual é desobedecer às regras dessa sociedade cafona, se ser homossexual agride caretas e covardes, então eu me encaixo perfeitamente bem no “papel” de homossexual. "Homoterrorista", se preferir.

Sou do tipo que veio ao mundo para brigar, não para conciliar. E não quero ser “aceito” por gentileza ou educação, como se estivessem me fazendo “um favor”, abrindo uma exceção para que eu possa existir. De boas intenções, o inferno está cheio. Se for assim, quero mais é que você se foda, heterossexual "bonzinho"! Não preciso da sua compaixão nem da sua carona nem da sua permissão!

Basta manter sua halitose em Cristo bem longe de mim.

Um comentário:

  1. Nossa, ri muito com o ''Bolsonaurosso''. Muito bom!
    A parte infeliz e traumática que se coloca com jogo nesse post é exatamente o sofriemnto que os homossexuais passam, apenas por usa condição, o que deve ser banido do pensamento e das ações da população, a ideia de que os homossexuais não prestam, de que têm escolha ou de que são sem vergonhas. Nossa sexualidade não determina nosso caráter. Abram a mente pessoas, saim do heterocentrado simplesmente por achar que o dêmonio está possuindo o corpo dos gays, aliás, que justificação ridícula e irracional. E concordo, não queremos ser aceitso como um favor sendo prestado, isso é uma coisa que naturalmente deve ser feita a qualquer pessoa que não esteja fazendo mal ao próximo. Diferentemente de vocês, que querem ver o mal dos gays, querem julgá-los, querem fazer mal a eles por meio de agressões físicas, psicológicas e verbais. Onde está o lado bom disso? Vocês gostam de ser mauzinhos? Respeito, palavra chave! Pois eu paritlho da ideia de que quando você desrespeita, agride, você abre espaço pra fazerem isso com você. E sentir na própria pele não é bom! Sejamos mais harmoniosos pessoal!

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