terça-feira, 12 de abril de 2011

Shampoo anti-gravidade?!

Em inglês é mais bonito

Quem entende isso?

Exclusiva tecnologia Precise Light | Renew Clinical Derma-Full X3 | Renew Rejuvenate Gel de Limpeza Facial Revitalizante | Advance Techniques Coloração Creme Permanente | Inovador sistema Salon Dual-Care | Lip Care Caregloss & Shine Lovely Red | Creme Anti-Rugas Q10 Light | Aqua Sensation Anti-Olheiras | Contém Eucerit, exclusivo hidratante natural da pele | Body Gel-Creme Bye-Bye Celulite | Rich Caring Oil | Sistema inovador de Hair Recharge | Nu Age Defy Fullness & Body Pre-Shampoo Treatment | Shampoo anti-gravidade | Inovador GP4G que ativa o metabolismo celular...

Quem entende – se é que entende – deve ser mulher. Ou metrossexual. Ou “gay de butique”. Como sou homem das antigas, com biografia banal e bastante desleixado com a aparência, não sei que “tecnologias” são essas, se funcionam ou não, para que exatamente servem. Sei apenas que as prateleiras estão abarrotadas de produtos de beleza com nomes em inglês e destacando “inovadores sistemas” capazes de “ativar o metabolismo celular” ou “acabar com rugas, olheiras e celulite”.

“Shampoo anti-gravidade”? O que significa isso?

Fico imaginando a dona de casa que nem bem fala o português tentando entender qual a função e as vantagens de determinado produto. Ela pega a embalagem na mão, aproxima a embalagem dos olhos e lê: “Exclusiva tecnologia Precise Light”. A dona de casa não faz ideia do que seja “Precise Light”. Mas, como está escrito em “estrangeiro”, ela balbucia para si mesma: “Hum, deve ser bom...”. E leva a tal maquiagem com “exclusiva tecnologia Precise Light” para casa.

Ok, o inglês hoje é idioma universal. Para fazer parte do mundo globalizado é preciso pelo menos saber o básico. Mas usar o inglês – ou o francês ou o italiano ou qualquer outro idioma – apenas para “impressionar” o consumidor, além de sacanagem, é artimanha de marqueteiro jeca, desses que nas reuniões enchem a boca para falar “target”, “marketshare” ou “front-end”. O mesmo acontece com condomínios batizados com nomes “pomposos” tipo Michigan, Quality House, Gardens, Choice, Upgrade, Riverside, Bonjour!, Jardins de Provence, Pinot Noir, Maison La Frontière, Sur La Cité, Attualitá, Ereditá, Toccata, Independenza...

Sim, todos esses prédios existem e estão localizados na “cosmopolita” São Paulo.

Nos dois casos, porém, acho que o abuso de estrangeirismos – e de termos “técnicos” incompreensíveis: inovador GP4G? – atende aos anseios de uma classe específica da sociedade: a deslumbrada e cafona classe média. É essa gentalha que acha chique usar Creme Anti-Rugas Q10 Light, comer petit gateau e morar no condomínio Pinot Noir.

Mas será que essa gente sabe que Pinot Noir é o nome de um tipo de uva originária da região da Borgonha, na França? E como se pronuncia Pinot Noir? E o que significa Q10 Light? E qual nome dou para minha filha: Jennifer com dois “Ns” ou Samantha com “th”?

Ai, ai, esses latino-americanos...

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