terça-feira, 5 de abril de 2011

Uma Preta incomoda muita gente

Preta Gil

Quando Preta Gil estreou como cantora, em 2003, com o disco “Preta-à-Porter”, foi um bafafá só. Ninguém prestou atenção na sua música. O que causou falatório mesmo foi a capa do CD, em que Preta aparece nua.

A imagem, de autoria da fotógrafa Vânia Toledo, não tem nada de vulgar ou apelativa. Mas Preta é preta, “cheinha” e filha de um dos artistas mais respeitados do país. A foto, claro, escandalizou “a família brasileira”.

Estratégia de marketing? Sei lá. Isso não interessa mais.

De lá pra cá, Preta Gil virou personalidade-celebridade, com voz própria e algumas polêmicas ao longo do caminho. A última, como você sabe, envolvendo o deputado federal Bolsonarossauro, que escolheu a cantora como alvo principal do seu ódio racista.

Preta Gil é preta até no nome. É mulher livre e independente. Musa da comunidade LGBT. Faz o que tem vontade. Desfila sua gostosura extra sem medo de ser feliz. É espontânea e desbocada. Guerreira e da pá virada.

É por essas e outras que Preta incomoda muita gente.

Preta não é o “capeta”, como o Bolsonarossauro e outros pré-históricos crêem. Preta Gil é mulher, é negra, é volumosa, é sexualmente ativa, é dona do próprio nariz – e mulheres assim costumam amedrontar os machos brancos reprodutores que só trepam no escuro, de meia social e pijama azul-bebê.

Lembre-se: Preta Gil não é promíscua. É apenas Preta – ou preta. E por isso foi covardemente atacada pelo imbecil do colarinho sujo. 

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