sábado, 30 de abril de 2011

Viver é perigoso, seu moço!

Jimi Hendrix

Temos medo, muito medo, da morte. Mas tememos ainda mais a vida. Ah, essa merda de vida... “Viver é perigoso, seu moço!”, avisa o jagunço Riobaldo em “Grande Sertão Veredas”. Por isso, para escapar do perigo, recorremos ao queijo branco, à vidente, ao pilates, à cabala light da Madonna, ao ansiolítico, às cercas elétricas, ao Dr. Hollywood, ao vegetarianismo...

Queremos, enfim, viver “em segurança”.

Ora, não há como blindar a vida, seu moço. Quer segurança? Estoure os miolos com um balaço de espingarda ou se jogue do décimo andar de um prédio e “descanse em paz”. 

Não entendeu? Explico: só os mortos não correm riscos. Seres em movimento, com contas para pagar, filhos para criar e uma existência inteira para suportar, estão sempre sujeitos ao imponderável. “Vai que...”

Esse desejo contemporâneo de viver mais e melhor, com “saúde total” e “alma lavada”, não combina com a nossa vontade louca de simplesmente viver. Jimi Hendrix e Janis Joplin viveram apenas 27 anos. Mas viveram. Não tentaram “enganar” a vida com Light Shake.

Como você, temo o câncer, temo a bala perdida, temo a fralda geriátrica, temo a morte. Minha grande dúvida é: será que vale a pena "pisar no freio", viver 70 anos e, lá na frente, perceber que “virei” uma Susana Vieira? 
 

2 comentários:

  1. Tatarana, Urutu Branco... Eu estou apaixonado por Riobaldo - finalizando a leitura de Grande Sertão Veredas. E posso falar? Não bastasse a citação, este seu texto é ótimo, virar "Sú" é mesmo falhar. E quanto à vida: "Deus, mesmo, se vier, que venha armado..."

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  2. Meu caro, se me permite a intimidade...

    Me pergunto todos os dias sobre essa condição humana... não há escapatória não!

    Se vale a pena ou não depende de nossas crenças, ou daquelas loucuras que tentam enfiar em nossas cabeças para justificar nossa existência insana.

    Acho tudo muito chato, sofrido, dolorido... Vivo uma relação de amor e ódio ao ser humano. Amor porque admiro sua capacidade de criação, superação, invenção... beleza, algumas vezes, de criar música, de fazer cirurgias absurdas, de ir par ao espaço. Mas tneho ódio do egoísmo, da falsidade do ser humano. Ser mesquinho, interesseiro, sem escrúpulos. EGOÍSTA.

    Gostei de seu texto.

    Cássia OLiveira

    cassia1001@yahoo.com.br

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