terça-feira, 17 de maio de 2011

Comer Animais - o livro

Animais: comer ou não?

TODO MUNDO já deve ter passado por situações-limite em que somos obrigados a tomar uma decisão. Seja ela qual for: para o bem ou para o mal. Do tipo: agora ou nunca.

Situações em que não podemos nos omitir ou fingir que não sabemos de nada; que exigem mobilização, mudança de comportamento, sacrifício.

Em situações assim, nunca decidimos por livre e espontânea vontade. Somos impelidos a decidir. É difícil. Relutamos. Mas, ao fim e ao cabo, acabamos decidindo. Não temos outra saída.

Mas, e quando há saída? Quando decidir depende exclusivamente da nossa vontade? É essa a mais incômoda questão apresentada pelo norte-americano Jonathan Safran Foer no livro “Comer Animais” (Rocco, 2010).

O escritor, antes de incluir produtos animais na dieta do filho, resolveu encontrar respostas para as seguintes perguntas: de onde vem a carne que comemos? Como os animais são tratados? Quais os efeitos econômicos, sociais e ambientais que o maciço consumo de animais provoca?

Para obter respostas, Foer se infiltrou em matadouros, percorreu fazendas de criação e visitou abatedouros; conversou com fazendeiros, criadores, ativistas, vegetarianos e “carnívoros” convictos. “Comer Animais” é o resultado de três anos de pesquisas e contém informações aterrorizantes de como os animais são criados e abatidos nas fazendas industriais.

Embora vegetariano, Foer não faz um manifesto vegetariano. Dá voz a todos envolvidos com a questão, apresenta os fatos e deixa para o leitor decidir se deve ou não mudar a sua relação com a comida.

Claro. Depois que sabemos de onde vêm os animais que comemos e como esses animais são tratados e mortos, ficamos horrorizados, quase decididos a nunca mais consumir nenhum produto de origem animal.

Repare: eu disse “...quase decididos...”.

É que ninguém é obrigado a excluir a carne da sua dieta. Essa decisão depende apenas da consciência de cada um. Aqui, por mais chocantes que sejam as informações reunidas por Foer em seu livro, não se trata de uma situação-limite, com consequências imediatas em nossas vidas. Em casos assim, quando há a opção de “se fazer de morto”, é comum as pessoas decidirem não decidir nada.

Foer, no entanto, avisa: “não tomar uma decisão – continuar comendo ‘o mesmo que todo mundo’ – é tomar a decisão mais fácil”. É mesmo. Afinal, deixar tudo como está é sempre mais fácil que mudar.

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