sábado, 14 de maio de 2011

Cuidado, o Twitter pode pegar você!

A patrulha twiteira

Não sei se acontece o mesmo lá fora, mas, no Brasil, o Twitter virou “Tribunal de Justiça”. É nessa rede social que está sendo decidido o que é certo ou errado, quem é inocente ou culpado, o que pode e o que não pode. Repercutiu ali, fodeu! E se virou hashtag e entrou nos TTs, pior ainda. Aguente-se o achincalhe. Ah, você não tem conta no Twitter? Pouco importa. Qualquer fato – principalmente aqueles com boas chances de causar gritaria – vai parar no microblog.

Rita Lee falou mal de Itaquera. Condenada!
A estudante Mayara Petruso queria afogar nordestinos. Condenada!
O “CQC” Rafinha Bastos fez piada com estupro. Condenado!
Moradores de Higienópolis “impediram” a construção de uma estação de metrô no bairro para evitar a invasão de pobres. Condenados!
Ed Motta zoou mulher feia. Condenado!

Desconheço outro “lugar” onde o patrulhamento é tão ostensivo e onde há tantos alcaguetes “reunidos”. Sim, o grande barato dos frequentadores obsessivos do microblog é delatar tudo aquilo que vai contra os seus “nobres ideais”. E qualquer mijadinha fora do penico ofende a sensibilidade dos Twiteiros com Dedos de Fada.

Acho até que existe uma disputa... Ou melhor, duas. Uma conectada à outra. Primeiro, os Twiteiros com Dedos de Fada competem entre si para ver quem vai “denunciar” a próxima grande polêmica do dia. Depois, digladiam-se para ver quem vai postar o comentário mais “inteligente” e/ou “divertido” sobre a tal polêmica. Vence aquele que acumular o maior número de retweets.

Falando assim, com certa implicância, pode parecer que concordo com as asneiras que ritas e mayaras, rafinhas e eds, andam tagarelando por aí. Não, não compactuo com nenhuma forma de manifestação preconceituosa. Aos bárbaros da imbecilidade, cadeia!

O que aborrece é a patrulha arrogante, esse “salve-se quem puder” onde todo mundo vigia todo mundo, e todo mundo posa de “indignado”. Plagiando o jornalista Pedro Alexandre Sanches, nessas horas queria que o ser humano tivesse rabo. Aí, a gente veria e saberia de fato quem abana o rabo pra quem.

Não sei você. Mas eu, cada vez mais, penso 200 vezes antes de proferir comentários. Por reconhecer e, na medida do possível, policiar meus preconceitos & intolerâncias, sei que posso cometer algum “delito de opinião” fora de hora. E, nesta época de higienização do pensamento, acredite: qualquer ventania pode virar furacão.

Um comentário:

  1. Os tuiteiros aprenderam o mau comportamento de alguns pauteiros preguiçosos, criando factóides ao menor descuido dos Ed Mottas da vida.

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