sexta-feira, 27 de maio de 2011

E daí?

Andy Warhol

Andy Warhol:

Às vezes, as pessoas deixam o mesmo problema infernizar a vida delas por anos quando poderiam simplesmente dizer: “E daí?” Essa é uma das coisas que eu mais gosto de dizer: “E daí?”

“Minha mãe não me amava.” E daí?
“Meu marido não trepa comigo.” E daí?
“Eu sou um sucesso mas continuo sozinho.” E daí?

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Assim como o Andy Warhol, eu também gosto de dizer “E daí?” Gosto de dizer, mas nem sempre consigo.

É necessário muito treinamento diário para dizer: “E daí?”

Dizer “E daí?” é o mesmo que “deixar pra lá”. E “deixar pra lá” exige desprendimento; a independência de um curto & grosso: “Dane-se!”

“Levei um pé na bunda.” Dane-se!
“Fui demitido.” Dane-se!
“A humanidade não vai muito com a minha cara.” Dane-se!

Não é fácil, por exemplo, escapar do “hype” – dizer “E daí?” para o iPad, para o iPhone, para o iQue Coisa Mais Legal Estar Na Moda!

Duvida? Escolha aí o sujeito mais inteligente que você conhece e o coloque entre dois mil applemaníacos descontrolados. O sujeito que se mete no meio de dois mil idiotas certamente será um deles.

Dizer “E daí?” é o mais curto e contundente manifesto de liberdade que existe. Quem diz “E daí?” com sinceridade está dando as costas para o mundo, para as complicações do mundo, e seguindo em frente.

Mas, aviso: o “E daí?” tem o seu lado oposto – e amargo.

Acesse a internet, leia as notícias. “É estupidez grassando do Oiapoque ao Chuí e também lá longe nos confins do lá e do daqui”, observou certa vez Hilda Hilst.

E, diante desse cenário de fim do mundo – com a maldade tomando corpo dia após dia – dizer “E daí?” pode ter outro significado, nada nobre → covardia, a mais retumbante e lutuosa covardia!

É isso, amigos. Há aqueles que dizem "E daí?" para se libertar; e outros que o dizem para se omitir. A qual laia você pertence?

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