sábado, 14 de maio de 2011

... E tudo virou bullying

Bullying

Depois de arrancar o gravador da mão de um repórter, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) se explicou assim: “Acho que é o momento correto para resolvermos esse problema e acabarmos com o abuso, com esse verdadeiro bullying que sofremos, nós, os brasileiros, parlamentares ou não, nas mãos de uma imprensa, muitas vezes, absolutamente provocadora e irresponsável”.

O repórter Victor Boyadjian apenas perguntou a Requião sobre a aposentadoria de R$ 24 mil que ele ainda recebe como ex-governador do Paraná. 

O empresário Pedro Ivanow, uma das lideranças da Associação Defenda Higienópolis da Gente Diferenciada, grupo que conseguiu vetar a construção de uma estação de metrô no bairro da elite paulistana, também apelou à palavra da moda. “Estou sofrendo um verdadeiro bullying. Esse pessoal não sabe que isso é uma atividade criminosa?”.

Sim, esse pessoal sem noção devia arrumar o que fazer. Nada justifica telefonar ou enviar e-mails ao empresário com ofensas e ameaças físicas. Ivanow tem todo direito de se manifestar contra a construção da tal estação de metrô. Cabe ao poder público resolver a pendenga - e não a um bando de twiteiros que acha que fazer “protesto de sofá” nas redes sociais vai mudar o mundo.

Mas não é disso que quero falar. Citei esses dois exemplos aí em cima apenas para mostrar que o termo bullying, ao que parece, caiu de vez na boca do povo. Pior. De uma hora pra outra, todo mundo parece que sofre (ou sofreu) bullying. Até a atriz Emma Watson, a Hermione da saga “Harry Potter”, abandonou a faculdade por supostamente sofrer bullying dos colegas de classe.

Palavra de origem inglesa, bullying é o termo usado para “descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo ou grupo incapazes de se defender”. Santa Wikipedia!

Ultimamente, fala-se muito em bullying nas escolas. Ok, meninos e meninas em idade escolar são mesmo capazes de cometer as mais cruéis barbaridades apenas por diversão. É preciso ficar de olho nisso aí.

Mas, como tudo que vira “moda” no Brasil, acho que o pessoal anda exagerando, e tem muita gente dizendo que é (ou foi) vítima de bullying só pra parecer “do bem”. Afinal, esse é modo eficaz de passar a ideia de que você está sendo “perseguido”, sem nenhuma razão aparente, por uma tropa de fundamentalistas sanguinários. Posa-se de “vítima” e os culpados pelo seu “sofrimento” são sempre os outros.

É isso que fazem o senador Roberto Requião, ao acusar a imprensa de “abuso”, e o “mula-sem-cabeça” Jair Bolsonaro, ao falar em “heterofobia”. Ambos querem inverter os papéis, “fazer de conta” que eles é que são os “agredidos”.

Pessoas de alma pequena também encontraram no bullying ótima desculpa para choramingar por mais atenção. Assumem o fracasso, mas jogam a responsabilidade do seu fracasso nos ombros alheios. Por isso, coitadas, precisam de compreensão, colo e carinho.

Pensando bem, bullying pode servir de justificativa pra tudo.

Um comentário:

  1. Matou a pau, Marcos!! Vou mandar esse texto para uns choramingões que conheço... Um abraço.

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