segunda-feira, 9 de maio de 2011

Edy Star e as bichas esfuziantes

Edy Star nos anos 70

A entrevista de Edy Star no “Programa do Jô” foi divertida. Edy é figura conhecida no underground musical brasileiro. Baiano de Juazeiro, Edy é cantor, ator, dançarino, produtor teatral e artista plástico. Começou a ganhar notoriedade com suas apresentações nos cabarés da Praça Mauá, no Rio, onde fazia show performático, cantando com visual andrógino e corpo banhado de purpurina.

Edy Star – ou Edivaldo Souza – é cultuado pela turma que curte Raul Seixas por sua participação no disco “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10”, de 1971. Três anos depois, em 1974, gravou seu primeiro disco solo, “Sweet Edy”, com canções compostas especialmente para ele por Caetano, Gil, Roberto e Erasmo Carlos, entre outros.

Com 73 anos e vigor de menino, Edy, depois de morar por 18 anos na Espanha, está de volta ao Brasil. “Na internet, disseram que eu tinha virado travesti. Não é nada disso. Trabalhava em um puteiro internacional, com 35 mulheres. Toda noite, aconteciam 18 stripteases. Eu entrava entre um número e outro para os clientes descansarem o olho de tanta xoxota.”

Sim, Edy é gay. Ou melhor: viado. “Sempre fui chamado de viado e nunca me ofendi. A palavra gay é uma merda. É muito boa para descrever esses saradinhos que se vestem com a última moda. Mas o que faço não é coisa de gay. É bichice, mesmo. É viadagem!”, disse Edy em entrevista para a coluna da Mônica Bergamo, na “Folha”. No “Programa do Jô”, ele repetiu o discurso.

Bichas esfuziantes como Edy costumam ser duplamente discriminadas – pela sociedade, que “prefere” os gays mais “discretos”, e por muitos homossexuais “machões”, que acham over os trejeitos das mariconas afeminadas. Em ambos os casos, usa-se a velha lógica furada de tentar tapar o sol com a peneira: “seja gay, mas não dê pinta”.

Ora, pessoas como Edy – com seu jeito desaforado de encarar a vida – merecem respeito. Edy foi um dos primeiros a assumir a sua homossexualidade em público no meio artístico brasileiro e, como se viu em sua entrevista ao Jô, não está nem aí para o que os outros pensam dele. Ao contrário de quem consegue “disfarçar” a sua viadagem, “bichas loucas” como Edy necessitam de colhões e autoestima elevada para lidar com a selvageria dos homofóbicos.

É fácil e cômodo ser gay e, por segurança, “esconder-se” do preconceito. Difícil é ser gay 24 horas, com aquela “afetação” que “entrega” de cara a sua orientação sexual. Esses não têm outra saída a não ser partir para o “enfrentamento”. Por isso, em vez de ficar acusando as bichas afeminadas de “ridicularizarem” a causa gay, que tal reverenciá-las? Afinal, enquanto você brinca de “esconde-esconde” com seu desejo sexual, são elas as primeiras a levarem pedradas no seu lugar.

É fato: o mundinho gay é formado por pessoas de todos os tipos. E seria bem legal se a gente aprendesse a respeitar essa saudável diversidade. No meu caso, gosto das bichas esfuziantes porque elas costumam ser debochadas, maldosas e dominam como ninguém a arte de rir de si mesmas. Sabe qual será o título da provável autobiografia de Edy Star? “Me Atirei no Pau do Gato”.

3 comentários:

  1. Bacana o texto! Não conhecia o Edy :)

    Beijos!

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  2. Edy é ótimo artista e diversidade é o máximo mesmo. Ninguém deveria mesmo ter de disfarçar o que é. Por isso mesmo acho chatíssimo quando determinadas bichas pintosas acham que aqueles homossexuais que não dão pinta estariam necessariamente se escondendo. Isso não é uma regra. Eu sou casado com um cara que não dá a menor pinta, e dizem que eu também não, embora eu não tenha a menor preocupação com isso, tanto que já me maquiei, andei de vestido, pinto o cabelo, faço o que me dá vontade sem me preocupar se é "de homem" ou "de mulher/viado/whatever". No plano da amizade, tenho interesse em me relacionar com qualquer tipo de pessoa, independente de sexualidade, afetação etc. Mas confesso que "pintosas" não me atraem em nada afetiva/sexualmente, e isso, ao contrário do que já me disseram uma vez, não é "preconceito". Há que se levar em conta que, se um cara não sente atração por outro que "dê pinta", isto é tão natural quanto ter atração pelo mesmo tipo de pintosa. Tem gosto para tudo!
    E isso não me impede de ADORAR a estética viadosa. Tanto assim que, no meu primeiro videoclip, láááá em 1995, a musa convidada especial para jogar charme, purpurina e viadagem às imagens foi a veterana e espetaculosa Jane di Castro.
    Abs

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  3. O segredo é enfrentar seus medos ... E quando começar a crise procurar esquecer e fazer coisas que gosta ... Tenho a 8 anos a síndrome mas me considero curada. De tanto sofrer aprendi a conviver e controlar o problema pois tenho muita vontade de viver e tenho muita fé ..Exodus é ótimo mas mais ótimo é se dejoelhar e agradecer a Deus por sua vida sempre..e lembre-se ...Deus não dá uma cruz que a gente não possa carregar ... Tem pessoas muito mas muito piores com problemas sérios de saúde e tem alegria em viver... Pânico não é nada se vc por nas mãos de Deus e confiar ... Fé bjs

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