segunda-feira, 30 de maio de 2011

Eu queria ser amigo da Lea T.

Lea T. na praia de Ipanema, sendo fotografada para campanha da Blue Man

Eu queria ser amigo da Lea T. Queria tomar um café com ela em Florença. Queria ouvir suas histórias. Lea T., para o desavisado que foi até Marte e se perdeu no caminho de volta, é a modelo transexual brasileira que virou “hit” – não um “hit” de verão, desses que passam no galope ligeiro de uma eguinha pocotó, mas um “hit” com semântica própria, com recheio capaz de torná-la um clássico.

Lea T. De novo, Lea T.? – questiona o leitor deste blog. Sim, já publiquei Lea T. no Idiota Feliz mais de uma vez. E peço permissão para publicá-la novamente. É que toda vez que Lea T. aparece e dialoga comigo, mais eu a admiro. No gelado domingo de maio, 29, a modelo ressurgiu nas páginas da revista “Serafina”, em depoimento para a repórter Chris Mello. Outra vez, foi apenas Lea T., sem meias verdades nem deslumbramento. E é por essas e outras que eu queria ser amigo dela.

Leia trechos do depoimento:

LEA T. E O BIQUÍNI PEQUENININHO
→ Meu primeiro desfile com peito, e com um biquíni pequenininho. Fiquei mais tímida ainda depois da cirurgia, mas decidi vencer o medo e aceitar o desafio. Esconder o meu órgão sexual é o que menos me preocupa. Conheço vários segredinhos das 'trans' mais velhas que dão super certo. É o básico, a gente prende para trás, como todo garoto faz de brincadeira uma hora ou outra.

LEA T. E A MUDANÇA DE SEXO
→ Vou fazer cirurgia de mudança de sexo em algum momento, mas não já. Deve ser na Tailândia, os médicos de lá estão acostumados, têm experiência.

LEA T. E O SEXO
→ Tenho tendência a gostar de homem, mas não excluo sair com uma mulher.

LEA T. E A TRANSEXUALIDADE
→ Foi nessa época que comecei a entender a minha sexualidade. Percebi que tinha algo que não dava certo. Sabe quando você troca os sapatos nos pés? Fui a vários psiquiatras até entender quem eu era. Um dia, decidi contar para minha família: "Sou transexual. Não é uma tara, nem uma fase". Tive medo de não ser aceita e ter que virar prostituta. É a realidade de muitos 'trans' porque ninguém oferece trabalho.

LEA T. E A MENSAGEM
→ Desfilar de biquíni me assusta mais que o sofá da Oprah. Mas vou fazer. E faço questão de deixar claro que sou transexual. O importante para mim é passar a mensagem de que nós podemos fazer parte de qualquer grupo. Temos os mesmos direitos de todo mundo. Os mesmos deveres também. E não podemos passar a vida com medo de andar na rua.

5 comentários:

  1. Lea T. reúne a franqueza quase inocente de uma menina e a coragem inabalada de um homem maduro.
    Muque de Peão

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  2. Na mosca, Luciano.
    E é essa mistura que me encanta nela.

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  3. A Lea (todo íntimo, viu só) iria ganhar um amigo ímpar, e quando estiverem os dois assim à toa me convidem para um bate-papo desses despretensiosos rs...

    Ela é mesmo admirável.

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  4. Também gostei da entrevista. Deve ser bem difícil, mas ela tá conseguindo :)

    Beijos!

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  5. Ela é adorável, e tem uma inteligência que me impressiona sempre. Uma pessoa forte e decidida. Ao mesmo tempo, linda!

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