sábado, 21 de maio de 2011

Gordas demais para voar

Autorretrato Jen Davis

DUAS MULHERES NORTE-AMERICANAS, mãe e filha, quase foram impedidas de embarcar em um avião da companhia aérea Southwest Airlines. Motivo alegado: as duas seriam “gordas demais para voar”.

A notícia, por si só, causa espanto. Mas o que mais me chamou a atenção foram os comentários de leitores que defenderam a atitude do funcionário da companhia aérea e culparam as duas mulheres pelo ocorrido. Exemplo: “Nada nesse mundo justifica uma pessoa ser obesa, a não ser a falta de vergonha na cara”.

Esse pensamento de exclusão, típico de regimes totalitários, está se tornando perigoso. Quem não corresponde aos padrões de beleza, comportamento, sexualidade considerados “corretos” pela sociedade “bolsonarossaura”, logo é tratado como subespécie, jogado na vala-comum dos degenerados.

Os “certinhos” querem transformar seres humanos cheios de vícios e defeitos em rebanhos de cidadãos bem comportados e seguidores fieis da heteronormatividade magra, branca e saudável. Mas e se eu não achar a menor graça em viver contando calorias? de acordo com os preceitos bíblicos? no tradicional papai-e-mamãe? E se seu quiser pagar pra ver? E se eu vou muito bem, obrigado, do jeito que eu sou?

Em 1865, Francis Galton propôs o aprimoramento da raça humana por meio de cruzamentos genéticos premeditados. Antropologista, meteorologista, matemático e estatístico, Galton, com sua polêmica teoria eugênica, não defendia a criação de classes privilegiadas, mas a evolução positiva da humanidade em seu conjunto.

O nazismo foi lá, pegou a teoria de Galton emprestada e a revirou do avesso. Em vez de “criar” seres humanos melhores, como idealizava o teórico inglês, os nazistas acharam mais fácil e rápido exterminar com “aqueles que causavam prejuízo para a espécie”. Deu no que deu.

Posso estar exagerando, mas acho que tem muito pateta “viúva de Hitler” que continua bem a fim de realizar uma “faxina geral” no mundo. O sujeito que citei neste post e escreveu o comentário imbecil sobre a obesidade deve ser um deles.

Gordas não podem voar? Podem sim. Gordas, gays, pretos, pobres, fumantes, bêbados, drogados, putas e toda “gente diferenciada” que circula por aí. Parafraseando o comentário do pateta: nada nesse mundo justifica a intolerância, a não ser a falta de inteligência. 

Um comentário:

  1. Higiene, Higiênico, higienista, higienizar, higiologia....
    O Estado é higienista.
    A sociedade é higienista...( não fume, não beba, não seja sedentário... esse é o " antídoto " , o contraponto de uma sociedade de consumo que incentiva e lhe vende o " prazer " em forma de embalagens )


    ( não anônima... patética )

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