sábado, 7 de maio de 2011

Madonna, Lady Gaga, sexo e religião

Lady Gaga no clipe de "Judas"

Lembra quando Madonna fez barulho com o clipe da canção “Like a Prayer”? Era 1989. Lembra quando Lady Gaga fez barulho com o clipe da canção “Judas”? Era 2011.

Entre os clipes de Madonna e Lady Gaga passaram-se 22 anos. Nesse período, o mundo mudou bastante, menos a estratégia pop de chamar a atenção do público e da mídia. Para “causar”, continua valendo o uso de dois ingredientes desgastados, mas infalíveis: sexo e religião.

Toda obra de arte que surge como “polêmica” causa o mesmo efeito: divide opiniões. Alguns se sentem ofendidos e chegam ao absurdo de tentar censurar a veiculação da obra. Outros, mais liberais, procuram defender com “barricadas e coquetel molotov” a tal liberdade de expressão. A gritaria, claro, intere$$a – e muito! – ao artista. Enquanto os bobos brigam, a audiência sobe.

Madonna sempre soube usar a “polêmica” a seu favor. Ora simulando sexo oral numa garrafa, ora “provocando” os religiosos ao fazer referências nada “simpáticas” à simbologia católica em seus clipes. Lady Gaga, ao que parece, não deseja apenas o legado musical de Madonna, quer “comer" Madonna inteirinha – e regurgitar a “Rainha do Pop” em nova/velha roupagem. Taí “Judas”, com Gaga como Maria Madalena, para mostrar que, sim, a gente já viu esse filme antes. E o “original” era bem melhor.

Como música, “Judas” é fraquinha. Até como metáfora – a mulher que se apaixona pelo cara errado, o Judas – a canção não funciona. Ninguém duvida do talento de Lady Gaga e de sua incrível capacidade de autopromoção, mas o novo disco (“Born This Way”) dá sinais de que não repetirá a inventividade dos trabalhos anteriores da cantora.

Quase sempre, polêmica no mundo pop não passa de travessura, bobagenzinha para irritar as “autoridades”. Bota-se um crucifixo aqui, uma cena de sexo ali – ou, para apimentar ainda mais a coisa, mistura-se “sexo com crucifixo” – e pronto: aguente-se a chiadeira.

Em casos assim, a música, que é o que realmente deveria interessar, costuma desaparecer sob a histeria dos ofendidos.

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