quarta-feira, 18 de maio de 2011

O humor inteligente do “CQC”

Integrantes do "CQC"

NEM SEI SE O HUMOR DO “CQC” é humor inteligente ou não. É preciso ser inteligente para saber diferenciar o humor inteligente do humor não inteligente – e esse definitivamente não é o meu caso quando sento no sofá pra assistir ao programa e... rir. Sim, eu dou risada com as “reportagens” do “CQC”. Dou risada com as besteiras do “Pânico na TV”. Dou risada de tudo que acho graça, sem me importar com a vigilância dos vigilantes da vida alheia.

Se é verdade que esses programas são toscos, como andam dizendo por aí, então eu sou tosco. No problem.

De repente, neste Brasil de gente inteligente, tudo e todos têm que ser inteligentes: o humor, as telenovelas, a dançarina de axé, a mulher-fruta, o pagodeiro, o jogador de futebol, os comentários no Twitter, o papo no boteco, a grã-fina desocupada. Até as loiras têm que ser inteligentes... Ops, foi mal! Desculpa a velha piadinha politicamente fascista e sem graça! Escapou.

É isso, brasileiros. Vamos parar com essa coisa feia de fazer piada não inteligente com mulheres, gays, negros, judeus, índios, pobres e outros grupos. Mas, se a piada for inteligente, sofisticada, com a intenção de fazer uma crítica social construtiva, não tem problema. Pode continuar espinafrando mulheres, gays, negros, judeus, índios, pobres e outros grupos.

Lembre-se: o humor, além de inteligente, agora precisa ser “do bem”, vir acompanhado de uma agenda positiva. Caso contrário, não tem graça; é nada mais que estupidez.

Sim, algumas vezes, os humoristas exageram. Em outras, são apenas sem graça. Esses são os riscos para quem se propõe a fazer humor. Mas não há como negar que estamos diante de um patrulhamento ideológico que beira a histeria. Nada pode. Tudo ofende. Só não entendo porque ninguém liga quando avacalham políticos, evangélicos, padres, policiais, celebridades. Ah, aí pode?! Aí não faz mal ser grosseiro, tosco, estúpido? Entendi... É a velha lógica do pimenta-no-cu-dos-outros-é-refresco, né?

Até concordo com a tese de que o humor precisa evoluir para continuar transgressor. Afinal, faz tempo que fazer piada sexista, homofóbica ou racista deixou de ser transgressor. É preciso melhorar isso aí. Dar dois passos à frente. 

De qualquer maneira, após alguns avanços – a aprovação da união homoafetiva, por exemplo – acredito que essa evolução vai acontecer naturalmente.

Enquanto isso, que tal rir com um pouco menos de inteligência, hein? 

Um comentário:

  1. Coisa que tem ficado rotineira, o que só prova a dificuldade de se fazer humor hoje em dia, é humorista fazendo piada não sem antes pedir desculpa pra quem está atingindo. "Nada contra tal grupo ou pessoa, mas..."

    Ora, faz a piada e pronto. Humorista, assim como qualquer artista, não pode ter medo. Pede desculpa depois, caso haja reações por demais extremadas, não antes.

    Já tive entreveros com piadas contra escoteiros, antes de se falar em "politicamente correto". A chefe da instituição, na minha cidade, me ligou pra encher o saco. Disse que "tinha chegado até ela" (intrigas, né?) que eu tinha "falado mal" dos escoteiros numa tirinha minha. Retruquei dizendo que, se fosse o caso, pediria desculpas, mas que antes ela teria que LER a tira. E não dar ouvidos a fofoqueiros de plantão.

    De resto, um texto lúcido, ácido e íntegro como sempre, Marcos. Um abraço.

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