quinta-feira, 19 de maio de 2011

O inferno sou eu. Será?

A mosca

Só os idiotas que ainda “gozam na cueca” conseguem permanecer alheios às chateações da vida. Quem já perdeu alguns dentes pelo caminho e, depois de um baita tombo, descobriu que andar no salto não é para principiantes sabe o quanto é complicado manter a sua irritação em níveis toleráveis.

Tá foda, viu!

Lembro que quando tinha, sei lá, 17 anos, era difícil eu me aborrecer à toa. Se estava a fim de ir à praia e chovia, ok, ficava em casa assistindo “Sessão da Tarde” e bebendo Tubaína. As babaquices dos outros não me incomodavam; e nunca deixei de fazer as coisas que queria só para não me irritar. Em muitos casos, eu é que me divertia irritando os outros. Viver era passatempo!

Mas, aí, os anos seguem, a gente amadurece, aprende a decifrar truques & trambiques da convivência social e – ploft! – acorda!

Hoje, se houvesse jeito, juro que desligaria o mundo toda vez que tivesse que sair de casa para ir ao banco. Tem amolação demais lá fora. Gente demais. E onde há acúmulo de serotonina, como no Brasil, o risco de você ser “atacado” pela bestialidade dessa gente “bronzeada e feliz” é grande.

Ah, eu sei... Cochicham por aí que o inferno sou eu – eu & essa minha obsessão rabugenta por mais silêncio, civilidade e vagas de estacionamento. Pode ser. Ando irritado mesmo, sem paciência para ver gente de qualquer espécie. Estúpidos, principalmente.

A irritação é o preço que eu pago por não me adequar ao ambiente, por não aderir ao “coro dos contentes”, por achar insuportável esse modo axezeiro de encarar a vida. 

Um livro recém-lançado nos Estados Unidos – “Annoying – The Science of What Bugs Us” (irritante – a ciência do que nos incomoda) – explica os motivos pelos quais nos irritamos com coisas insignificantes, que não são perigosas nem prejudiciais ao nosso bem-estar, mas que nos chateiam à beça. Exemplo: mosca teimosa nos rondando.

Para contornar o problema, os autores, Joe Palca e Flora Lichtman, jornalistas norte-americanos especializados em ciência, aconselham acabar logo com o incômodo. Ou seja: matar a mosca.

Será que o sujeito que está na minha frente na fila do banco, gritando ao celular, é uma mosca? Se for, posso matar? Ou devo descer na boquinha da garrafa para dar uma de "simpático"? 

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