quinta-feira, 5 de maio de 2011

O padre de passeata e a união homoafetiva

O Padre de Passeata

Verdade seja dita: se o Brasil fosse a evoluída Argentina e já tivesse aprovado de uma vez o casamento gay, a gente teria sido poupado de mais uma exibição enfadonha de obviedades – tanto dos favoráveis quanto dos contrários ao reconhecimento da união entre homossexuais como “entidade familiar”.

Explico. Antes mesmo de o julgamento no Supremo Tribunal Federal começar, a gente sabia de cor e salteado quais argumentos seriam usados a favor da união homoafetiva – e quais tijolos a oposição homofóbica lançaria contra. Na questão gay, é sempre o mesmo lenga-lenga, com a mesma ignorância e os mesmos personagens. E, entre esses personagens, um em especial merece um soco na fuça: o Padre de Passeata.

O tipo foi criado pelo Nelson Rodrigues e faz referência ao religioso que troca a batina pela política. Neste caso específico, peço permissão ao grande dramaturgo para descrever o Padre de Passeata de outra forma: o religioso que, em vez de trocar, quer impor sua batina ao resto da sociedade.

No julgamento do STF, um representante da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) teve direito a alguns minutos de histeria para se pronunciar sobre a união homoafetiva. Como até a minha samambaia já sabia, a CNBB – em nome de Deus e da Tradicional Família Brasileira – “votou” contra. Aqui, cabe a pergunta: se o Estado é laico, o que fazia o enviado dos Bispos do Brasil no Supremo?

Ao ser proibido do prazer de uma boa gozada, acho que o Padre de Passeata, por vingança, mete-se na política com o único objetivo de empacar a foda dos outros. No discurso, cita a família, a Constituição, Deus e o diabo para defender o que ele chama de “bons costumes”. Mas, na prática, aposto que a sua principal motivação é sexual. Por não praticar (pelo menos não declaradamente) e por não entender a homoafetividade (ou não querer entender), insiste em nos “castrar”, impondo a sua batina.

Ora, o que o STF julgou são os direitos legais de uma união homoafetiva. Ninguém está debatendo se é “natural” ou não um homem transar com outro homem. O que cada um faz na cama, por cima ou por baixo e com quem faz não é problema do Estado nem da igreja. E, se o Padre de Passeata parasse de pensar só “naquilo”, talvez conseguisse compreender o óbvio: toda forma de amor é justa; o que não é justo é negar para uma boa parcela da sociedade o direito de existir.

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Por unanimidade, o Supremo reconheceu a união homoafetiva. Avançamos.

  

2 comentários:

  1. "toda forma de amor é justa; o que não é justo é negar para uma boa parcela da sociedade o direito de existir.".

    Conceder o anus é uma escolha privada, não acredito que seja crime como o regime cubano penaliza, contudo, seguindo o ditado popular que diz "por onde passa um boi, passa uma boiada", entende-se que pela frase acima, amor entre um homosexual e um menino de doze anos também será justo. Veremos quem estará certo no final, o padre de batina, ou o homem "excluído" e injustiçado pelo óbvio ditador, o anus não é aparelho reprodutor nem sexual.

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  2. Esses religiosos se acham seres superiores, mas são pessoas mediocres, que passam a vida apontando o dedo e condenando os outros, usando como escudo um livro escrito pelos homens.
    Parem de se preocupar com os cús alheios.
    Ao invés de ficarem perdendo seus tempos, usem a "palavra" para amar, respeitar o próximo e construir um mundo melhor.
    E instruam-se. Procurem conhecimento antes de julgarem. Não estamos mais na idade média.

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