terça-feira, 3 de maio de 2011

O profissional do ano

Homer SImpson

Cá estou, folgadamente desempregado. Pra ser sincero, se pudesse, nem queria arrumar outro emprego. Queria permanecer assim, sem fazer nada. Queria me enfiar no meio do mato e ficar por lá, criando galinhas e coçando o saco. O problema é que, por enquanto, não tenho mato onde me enfiar e, por isso, preciso de grana para pagar as minhas contas.

Por dinheiro, exclusivamente por dinheiro, necessito trabalhar.

Faz tempo deixei de acreditar nesse papo de “carreira profissional”. Não quero “construir” nada. Não quero mandar em ninguém. Não quero ser “o profissional do ano” nem “o funcionário do mês”. Cansei desse sonho classe média de “subir na vida”.

Dizem que “o trabalho dignifica o homem”. Dignifica porra nenhuma! O que me dignifica é dinheiro no bolso para viver à toa, sem passar por humilhações e sem ter que obedecer às ordens de nenhum chefe filho da puta. Trabalho, segundo o grande Oscar Wilde, “é o refúgio dos que não têm nada para fazer”.

Não pense que estou em crise porque estou desempregado. Tô não. Tô nem aí para os conselhos do consultor Max Geringer. Repito: se tivesse condições de viver de renda, seria um vagabundo profissional.

Ok, você é feliz no seu emprego e acredita no valor do trabalho. Eu não. Eu só trabalho porque preciso. Se não precisasse, estaria vadiando pelo mundo.

Já “vesti a camisa” de várias empresas. Dei o meu melhor, virei noites, fiz o máximo para “contribuir”. Sou capricorniano, com inabalável senso de justiça e responsabilidade. Se sou pago para fazer algo, procuro fazer bem feito. Mas se pudesse escolher, escolheria a piscina.

Quem é bom, realmente bom no que faz, não fica desempregado por muito tempo. Mas esse, infelizmente, não é o meu caso. Por experiência, sei que devo me preparar para enfrentar longos dias de pão com ovo pela frente. Nada que eu já não tenha experimentado antes. Nada que me leve ao desespero. 

Ai, ai, por que eu não nasci rico, hein?

3 comentários:

  1. Epifania. Penso mesmo igual a você. Com um agravante, estou vagabundo profissional há tempos. Mas nada de autoajuda, tenho que afastar esta ideia hedonista e cair na real, afinal se não há contas a pagar existem algumas necessárias para fazer.

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  2. Boa sorte nessa fase nova :) Aproveite pra descansar!

    E, bom, não sei como era seu trabalho, mas talento pra escrever você tem de sobra ;)

    Beijos, até a próxima!

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  3. Capricorniano sofre... Quem lhe fala é outro capricorniano: eu mesmo.

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