terça-feira, 24 de maio de 2011

Os tagarelas

ALEXIS de Tocqueville, o pensador político, historiador e escritor francês do século XIX, afirmou que “a democracia é tagarela”. Sim, ela é. 

Outro francês, o filósofo Bernard-Henri Lévy, disse em entrevista para a “Folha”, em 2006, que esse “novo” Deus, onipresente, “é um tagarela que não se cala nunca”. Sim, ele é. 

Pois bem. A tagarelice cresceu e se multiplicou. Virou mania. A ordem agora é tagarelar. E o silêncio, a ausência, a discrição foram pra cucuia!

Observe: ninguém mais suporta “ficar por fora” dos acontecimentos. E ninguém mais consegue permanecer calado. Eu, inclusive. E este blog é prova cabal da minha tagarelice.

Para “existir” é preciso tagarelar – emitir opinião, comentar os fatos. No mínimo, clicar no botão “curtir” do Facebook para marcar posição.

Ocupamos o silêncio com barulho, muito barulho. E, na maioria das vezes, fazemos muito barulho por nada – apenas para avisar ao mundo que fomos ao banheiro. Outras vezes, sim, a tagarelice até se justifica – quando a usamos para gerar mobilização, debate.

Só não esqueça do velho ditado: em boca fechada não entra mosquito. Por isso, existem momentos em que é melhor calar que tagarelar. Pense nisso.   

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