segunda-feira, 16 de maio de 2011

Para de "esconder" o seu psiquiatra no armário

Autor: Banksy

PESQUISA DA REVISTA "LANCET" apontou que entre 18% e 30% dos brasileiros já tiveram depressão. Isso significa que, numa turma de quatro pessoas, pelo menos uma está (ou esteve) deprimida. Alarmante? Sim. Mas essa constatação também serve para animar quem toma remédio “tarja preta” e se sente um “marciano” na república das “bundas alegres”.

Saber que não estamos sozinhos nessa, que há muito mais gente carregando piano por aí, reconforta. É como dividir o peso com quem está na mesma situação que a gente. Percebo isso aqui, no Idiota Feliz, ao receber inúmeros comentários de leitores agradecendo por haver um espaço onde podem “desabafar” e trocar experiências com pessoas que também sofrem de depressão e outros distúrbios.

Na dor, pode acreditar, somos solidários.

Depois da pesquisa reveladora da “Lancet”, acho que ninguém mais precisa “esconder” o seu psiquiatra no armário por receio de pagar uma de "maluco". Olha só, se toda essa gente que toma antidepressivo fosse apenas “maluca”, creio que o mundo seria um lugar bem mais bacana.

Pode parecer que não, mas há, sim, preconceito contra quem enfrenta problemas psicológicos. É como se fôssemos tristes por preguiça, por fraqueza, por incompetência, por vontade própria. Não é isso, não. Embora existam “parasitas” que costumam se fazer de “vítimas” para ganhar uma atençãozinha a mais, quem está depressivo está doente. E, como todo doente, necessita de cuidados médicos. Simples assim.

Mas qual será o motivo que tem deixado tantas pessoas tristes?

Arrisco um palpite: a obrigação de sermos felizes o tempo todo, aqui e agora, custe o que custar. A pressão é tanta – “seja feliz!”, “seja feliz!”, “seja feliz!” – que baqueamos ao primeiro sinal de fracasso.

No Brasil, sinto avisar, é ainda mais complicado “ser triste”. Num país onde os inzoneiros são movidos a samba, suor e cerveja, quem não está a fim de “balançar a pança” é logo rotulado de “ruim da cabeça” ou “doente do pé”.

Há, no entanto, uma boa notícia para quem ainda não desistiu de encontrar essa tal felicidade. Em Harvard, segundo informa Gilberto Dimenstein, foi criado um curso de “ciência da felicidade” com o objetivo de mapear o cérebro humano e descobrir o que realmente faz as pessoas felizes. De acordo com Nancy Etcoff, responsável pelo curso, estamos procurando a satisfação no lugar errado.

Em suas pesquisas, Etcoff percebeu, por exemplo, que mulheres muito ligadas à aparência física tendem a ser menos felizes – assim como aqueles que buscam a felicidade em coisas materiais.

Para ser feliz, a ciência indica: 1) Leve uma vida simples, em contato com a natureza e com os amigos; 2) Realize trabalhos voluntários. Etcoff diz que essas atitudes acionam um sistema de recompensa no cérebro que gera satisfação.

Pronto. Já sabemos o caminho da felicidade. Resta saber se a gente está disposto a mudar de comportamento. Ou seja: ser menos consumista, se preocupar menos com a aparência, levar uma vida simples e ajudar os outros. 

 E aí, vai encarar?

2 comentários:

  1. Caramba. Muito, muito bom esse post!!! Precisava ler algo assim hoje.

    Ando preocupada DEMAIS com a minha aparência, e isso tá acabando comigo. É foda. Mas o que fazer, nesse mundo de merda no qual todo mundo cobra que você tem que fazer academia, ou diz que a fulana é linda e gostosa, enquanto você só é uma pessoa normal? Pode parecer bobagem, mas os depressivos se encanam demais com algumas questões que, para o resto do mundo, são irrevelantes.

    Fiquei animada com esse curso! Seria voluntária tranquilamente!

    Bom tratamento pra você!

    Beijos!

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  2. Você já leu depressão e o tempo cão da Maria Rita Khel ? o argumento é que hoje em dia sentimos culpa de não sermos felizes, é como se tivesse o tempo todo uma festa acontecendo e agente de fora ... a obrigação de ser feliz torna a felicidade algo ainda menos alcançável, Ocorre que o ideal de felicidade, que no século 18 nos libertou do conformismo religioso, hoje se tornou opressivo. Virou uma subideologia da sociedade de consumo. Ora, a felicidade não é uma mercadoria que se possua. Não é uma conquista do ego; ela não para quieta, não nos garante nada. As pessoas sentem-se culpadas por não possuir a tal felicidade, o que os torna ainda mais infelizes.

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