quinta-feira, 26 de maio de 2011

Que tal um "japonês" macumbeiro chamado Carlão?

Núcleo nipônico da novela "Morde & Assopra"

A péssima novela “Morde & Assopra”, do Walcyr Carrasco, apresentada às 19h30 na TV Globo, conta com um núcleo de “japoneses” formado pelos atores Camila Chiba (Hoshi), Luana Tanaka (Keiko), Chao Chem (Akira), Miwa Yanagisawa (Tieko), Marcos Miura (Shiro), Carol Murai (Kimmy) e Ken Kaneko (Hinoue).

Observe os nomes dos personagens. Todos têm nomes japoneses. Não há nenhum Paulo, Vanda, Adriana, Carlos Eduardo, Ana Paula, Rosa, Fábio, Célia, Rafael, Fabiana – nem mesmo um comum Marcos: o nome deste sansei (neto de japoneses) que vos escreve.

Atenção: esses nomes que citei não são inventados; são nomes de alguns dos meus familiares. Venho de uma família numerosa e apenas um ou outro tem nome japonês. O restante é bem brasileiro. Tenho um tio chamado Sérgio; outro, Vitório; e ainda outro que atende por um singelo Zé. Minha avó – olha só! – chamava-se Maria.

Mas o Walcyr Carrasco, assim como outros autores, deve achar que vivemos – nós, os “japoneses” – ainda no início do século XX, quando desembarcaram no Brasil, mais especificamente no porto de Santos, as primeiras 165 famílias de imigrantes japoneses. Mais de cem anos se passaram e – caramba! ainda somos chamados de “Tieko”.

Pra piorar, Akira – olha só que nome “original” para um personagem nipônico! – repete o estereótipo do “japonês” meio bobalhão, nerd, que parece estar sempre com cara de assustado. Akira ainda chama o seu patrão, interpretado por Mateus Solano, de Ícaro-san. Ah, fala sério!

Constrange também ver os personagens se “consultando” com Hinoue, o velho mestre de um templo budista. Hinoue, claro, é caracterizado com barba, bigode e quimono – e esbanja sabedoria oriental. Enquanto isso, do lado de cá da telinha, tia Vanda e tia Célia frequentam – olha só! – um centro espírita.

É louvável que se escale atores nipo-brasileiros nas novelas. Afinal, a gente faz parte desse caldeirão de raças que é o Brasil. Mas acho que já passou da hora de parar com esses clichês burros, né, Walcyr Carrasco? Veja aí a Sabrina Sato, a mais completa tradução da “japonesa” esquindô lelê, mostrando que: sim, nós temos bunda!

Se os negros exigem negros em papéis dignos, acho que chegou o momento de a gente exigir um personagem “japonês”, sei lá, macumbeiro, malandro, chamado Carlão e que coma a Camila Pitanga. É pedir muito?

6 comentários:

  1. E viva Sabrina Sato!
    Eu tenho uma amiga japonesa do Japão mesmo que me visitou duas vezes aqui no Brasil. Quando fomos a SP ela ficou fascinada com as japonesas-brasileiras, que, segundo ela, têm uma atitude e um sex-appeal absolutamente impossíveis para nipônicos de Nippon.
    Abs!

    ResponderExcluir
  2. Marcos, eu conheci uma garota super engraçada em Campos do Jordão uma vez. Ela odiava que viessem perguntar se ela falava japonês ou que comida japonesa ela gostava. Ela sempre dizia "eu sou brasileira, meus pais são brasileiros, eu gosto de samba e feijoada; eu só tenho CARA de japonesa. Quando alguém vê um negro na rua não vai correndo perguntar de que país da África ele é!"
    Abraço,
    Muque de Peão

    ResponderExcluir
  3. É, os "iscrivinhadores" de TV, na maioria avassaladora das vezes, é presa a estereótipos já implantados e não/nunca questionados, e atentar (graças ao seu olhar) para o caso nipônico é mesmo uma maravilha, e mostra o quanto é ridículo o modo de se construir personagens.

    Outro fato similar que muito me IRRITA é a série "Macho Man", o que é aquilo?
    O personagem gay (ex-gay, ou sei lá o quê) é o retrato de um "personagem" criado, no mínimo, na década de 70. É totalmente fora da realidade atual, uma vergonha. Me diz, que bicha usa lencinho esvoaçante amarrado no pescoço?

    PS: Nada contra gays afetados, mas aquele ali da série está perdido no tempo, em algum lugar do passado.

    ResponderExcluir
  4. O Walcyr deve ter se arrependido do núcleo japonês, ele foi varrido da novela por algum tsunami.

    ResponderExcluir
  5. poxa ñ acho q vcs deviam critiar ele tanto assim éhh bom vcs pensarem q pelo menos tem um traço japonês na novelas oq ñ éhh mt comum em outras

    ResponderExcluir
  6. Vale lembrar também que essa é uma "novela das sete", que sempre tem histórias e personagens mais caricaturados. Os nipônicos têm nomes japoneses, os gays são afetados ao extremo, sempre que o núcleo caipira entra em cena toca uma moda de viola ao fundo, o peão aparece com chapéu o dia inteiro, mesmo numa festa de gala a noite e por aí vai.

    É interessante que se levante esses pontos pra gente pensar a respeito, mas acho que nesse caso não é culpa do autor, é uma característica das novelas desse horário.

    ResponderExcluir