quinta-feira, 19 de maio de 2011

Só acredito em quem se entrega inteiro ao amor


A AUTOSSUFICIÊNCIA METIDA À BESTA dos “moderninhos” de cara amarrada às vezes me faz esquecer de que ainda existem pessoas que sofrem por amor.

Em comentário postado no Idiota Feliz, um leitor, chamado Wilton, contou que caiu em depressão devido a uma desilusão amorosa. Durante o tratamento contra a doença, conheceu um novo amor e se sentiu forte o bastante para abandonar o medicamento. Mas, como ninguém tem controle sobre as coisas do coração, foi surpreendido por outra decepção. Sem ânimo para reagir ao segundo baque, Wilton recorreu novamente ao oxalato de escitalopram.

“Continuo triste”, revela.

Entendo Wilton. Conheço a dor que o mortifica. Sei muito bem o que é penar por um amor fracassado. Ainda assim, por mais extenuante que seja suportar o tormento de um possível abandono, só acredito em quem é capaz de se entregar inteiro ao amor.

Aquele que posa de “malvado” esnobando o amor, desdenhando dele esconde sob a fajutice da sua empáfia o pavor de viver sem rédeas, de perder o controle das suas emoções. É um covarde! Um dissimulado! Maldiz o amor por medo da rejeição; ridiculariza-o por desconhecê-lo; maltrata-o por desejá-lo mais que tudo.

A esses, para que consigam ao menos vislumbrar a força de um grande amor, vale transcrever um breve trecho do livro mais pop de Goethe, “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, publicado em 1774: “Quando acordo, pela manhã, penso com alegria: vou vê-la; e, então, contemplo o sol resplandecente. Vou vê-la! E durante todo o dia já não tenho outros desejos. Tudo, tudo se absorve neste pensamento: vou vê-la.”

Eu sei; e Wilton também deve saber que sentimento é esse que absorve tudo. É amor, meu caro. E só quem já deu com a cara no chão por amar demais se reconhece na espera aflita e ansiosa de Werther pelo momento de ver a sua amada, a bela Charlotte. 

Aos autossuficientes, recomendo bonecas infláveis, à venda no sex shop mais próximo. 

4 comentários:

  1. Vivo me encontrando nessa situação. Achamos que um novo "amor" pode substituir a química que equilibra esses malditos neurotransmissores. Mas, obviamente, vamos quebrar a cara, não é mesmo?

    Também é triste saber que nem todas as pessoas são capazes de amar com a mesma intensidade que nós. Ainda não entendo por quê. E dizer que "traumas" ou "medos" são as justificativas não me convence.

    Ainda há os autossuficientes. Essa é a pior espécie. Se dizem os "pegadores", mas duvido que satisfaçam alguém.

    Recomendo um livro que estou lendo, Marcos. Chama-se: "Amor Líquido. Sobre A Fragilidade Dos Laços Humanos", do Zygmunt Bauman. Não sei se já conhece. Segue o link:
    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?sid=62142006513519812279555374&nitem=758638

    Ele me ajudou muito a entender algumas das razões pelas quais algumas pessoas agem dessa forma.

    Enfim :D Adorei o texto!
    Fica bem!
    Beijos!

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  2. Nossa, tô encantada pelo trabalho da Roberta! Muito bom mesmo! :D

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  3. Já lí os livros citados, bauman realmente é fantástico, mas, é mais sociológico), enfim...Me sinto no dever de dizer que o erro é de quem ama desta forma. Isto não é amor. Isso mesmo, não é amor. É no mínimo falta de auto-amor, de auto-estima. O bonzinho é tão errado quanto ou até pior que egoísta.
    Depositar nossa felicidade na mão de outra pessoa é uma tremenda sacanagem.
    Não estou criticando, por já ter passado por isso.
    Remédios e até a própria terapia não tem efeito se a devida entrega e vontade de "amadurecer".
    Se continuar a pensar assim vai repetir a dose até viver pesadelos bem piores que estes que já vive.
    Recomento Gikovate, "O bem o mal e mais além, E, reveja a sua (seu) terapeuta. Eles podem ser legais, mas, acima de tudo eficientes! São pagos para isso. Se não tem terapeuta, procure! Só vai te ajudar, Beijos.

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  4. Texto na medida certa para falar do amor e seus descaminhos e não cair na vala comum dos clichês e cafonalha emocional.

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