segunda-feira, 23 de maio de 2011

Todo milionário devia ser excêntrico

Foto do livro "Luxury", de Martin Parr

PENSANDO CÁ com meus minguados tostões, concluí o seguinte: todo milionário devia ser obrigatoriamente excêntrico ou estranho ou bizarro ou extravagante ou exótico.

Bilionários idem!

Se é para ter muito, muito, muito, muito, muito dinheiro, em quantidades oceânicas; e se o abastado não vai mesmo repartir a sua riqueza com os necessitados, que pelo menos divirta e escandalize a plebe com alguma “maluquice”.

Segundo a revista “Forbes”, o Brasil conta com 30 bilionários que, juntos, têm patrimônio de US$ 131 bilhões. É dinheiro pra dedéu; dinheiro pra Haiti nenhum botar defeito. No topo está Eike Batista.

O problema dos bilionários brasileiros é a discrição. Ficam lá, enclausurados em seus castelos, sendo servidos por 70 empregados e fazendo de conta que são “gente como a gente”. O máximo de peraltice que o Eike se permitiu, por exemplo, foi aparecer um tempo atrás com um reluzente topete novo em folha sobre o cocuruto. Pouco. Muito pouco para alguém com tanta grana.

Na Rússia, com 101 bilionários, a coisa funciona diferente. Por lá, a ordem é ostentar. Roman Abramovich, o dono do Chelsea, desejava ter o maior iate do mundo. Pagou R$ 1,89 bilhão pela extravagância. Outro russo, Andrey Melnichenko, não queria o maior, mas o mais original e elegante iate que o dinheiro poderia comprar. Chamou Phillippe Starck para a missão. O badalado designer desenhou um iate com formas orgânicas e interior decorado com cristal Baccarat, couro de arraia, entre outros detalhes luxuosos.

Lembre-se: a Rússia fazia parte de um sistema de governo em que enriquecer era proibido. Normal, então, que seus bilionários agora queiram ir à forra. No país dos czares, para se exibir, vale até comprar relógios e carros incrustados de diamantes.

Cafona? Sim. Toda ostentação é. Mas os diamantes, ao contrário das bijuterias, pelo menos são eternos.

Super ricos devem ter ideias originais como Robert Graham Clark (abriu um banco de esperma para coletar espermatozóides apenas de vencedores do Prêmio Nobel); devem irritar os herdeiros como a condessa alemã Karlotta Liebenstein (deixou sua fortuna para o cachorro de estimação, um pastor alemão chamado Gunther III); devem provocar estranheza como Graham Pendrill (bebeu urina de boi para ganhar o título de ancião em uma tribo do Quênia); devem ser folclóricos como Warren Buffett (tem mais de US$ 50 bilhões, mas vive na mesma casa modesta que comprou em 1958).

Super ricos podem tudo. Absolutamente tudo. “Dinheiro compra até amor verdadeiro”, ensinava o gênio Nelson Rodrigues.

Mas essa vida sem restrições pode deixar o endinheirado de saco cheio. Por isso, alguns, quando percebem que “poder tudo” já não basta para satisfazer a sua vaidade, cometem extravagâncias. Afinal, cá entre nós, deve ser bem mais divertido torrar US$ 1 bilhão na construção de uma mansão de 27 andares para cinco pessoas, como fez o bilionário indiano Mukesh Ambani, do que matar a fome dos milhões de miseráveis da África.

Quem tem consciência social é pobre. Super ricos, com dinheiro de sobra para gastar, não têm tempo pra pensar nessas coisas chatas, não! 
 

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