quarta-feira, 29 de junho de 2011

O amor é cego - e ridículo

O amor é ridículo

Está comprovado: o amor é cego e o ser apaixonado, louco. Foi o que revelou para a “Folha” o neurocientista carioca Roberto Lent, autor do livro “Sobre Neurônios, Cérebros e Pessoas” (Atheneu).

Disse o neurocientista: “As regiões frontais [do cérebro] são associadas ao raciocínio, à busca das ações mais adequadas. Desativar essas regiões significa perder o controle. Na paixão, a pessoa deixa de levar em conta certas contingências sociais e faz coisas meio malucas. A expressão ‘o amor é cego’ reflete a percepção dessa desativação do lobo frontal descoberta pela ciência.”

E para quem anda cabisbaixo por se sentir rejeitado e ainda não ter encontrado a sua cara-metade, Roberto Lent alivia: “A função do amor é aproximar pessoas, inclusive aproximações improváveis. Como o amor é cego, você pode amar pessoas que normalmente são rejeitadas por outros. Sempre haverá um certo alguém para outro alguém. Sim, isso significa que mais pessoas vão se juntar. Já pensou se só se aproximassem entre si pessoas loiras de olhos azuis? Seria desfavorável e desagradável para a espécie.”

Eu já ceguei e perdi o juízo algumas vezes. Por isso, sei bem o que é fazer “coisas meio malucas” por alguém e achar linda a pessoa mais feia da cidade. Agora, aprendi que estava com o meu estado mental alterado. Quando a gente ama, a ínsula e o núcleo acumbente são ativados, e áreas do lobo frontal, desativadas. Entendeu?

Pois é. À luz da ciência, o amor se transforma numa “invasão de dopamina que ativa os centros de recompensa do cérebro e produz prazer”. Chato isso, não? Eu ainda prefiro Luis de Camões: “Amor é fogo que arde sem se ver”. Ou Cartola: “Amor é bem fácil achar/ o que acho mais difícil/ é saber amar”. Ou Mário Quintana: “Tão bom morrer de amor e continuar vivendo”.

Ao pisar em solo lunar, Neil Armstrong arrancou da lua o seu romantismo. Acontece o mesmo quando os cientistas explicam o amor como uma fria combinação de circuitos cerebrais. Arrancam do amor a sua característica risível, bufa, cômica. E sem o seu lado ridículo, o amor perde completamente a graça – e o vexame

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Leia a entrevista com Roberto Lent (para assinantes da Folha e do UOL)

2 comentários:

  1. Que coincidência!
    Acabei de ler na revista GAlileu que a maldade seria um problema mental.
    Pessoas que teriam graus muito baixos de empatia podem se tornar más por esse motivo.
    Se os neurônios explicam tudo.Tudo fica muito estranho.
    Ao fazer uma maldade poderia o(a) malvadinha responder como Jéssica Rabbit(Eu fui desenhada assim...)
    Agora o amor também se trata apenas da circutaria cerebral.
    A conferir

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