sábado, 25 de junho de 2011

O Terruá Pará e uma bunda de fora

Gaby Amarantos, a Beyoncé do Pará

De repente, a mulher solitária que estava sentada ao meu lado se levanta para aplaudir a apresentação de Felipe Cordeiro. No mesmo instante, desvio o olhar para admirá-la em seu entusiasmo. Surpresa! A calça da mulher, sabe-se lá como, cedera ao seu levantar súbito, e eu vi – repito: eu vi! – a poucos centímetros do meu nariz, a sua bunda inteira de fora. Ela logo puxou a calça para cima. Queria proteger a bunda dos olhares curiosos. Mas, aí, era tarde. Sua bunda já tinha virado tema para a abertura deste post.

Estávamos no Auditório Ibirapuera, na primeira noite da segunda edição do Terruá Pará, apresentação que trouxe para São Paulo alguns dos maiores nomes da música paraense. Excetuando-se a morena jambu Gaby Amarantos, chamada de Beyoncé do Pará, eu desconhecia o restante dos artistas vindos lá do norte do país para conquistar corações & mentes do “sofisticado” público paulistano.

Sim, “sofisticado”. Público típico do Auditório Ibirapuera. Público que jamais iria num show de tecnobrega na periferia de Belém. Eu fui. Sei como é. O tecnobrega, assim como o funk carioca, pertence ao povão. E foi no meio do povão, entre um empurrão e outro, que surrupiaram o meu celular. Pobres roubam celular; ricos, hospitais inteiros. Assim é: aqui, ali, em qualquer lugar.

Falo do tecnobrega, em especial, porque em Belém o ritmo anda gerando conflito. A classe média não gosta. Associa esse estilo musical à falta de educação e à desordem pública; ao barulho e à bagunça. Ou seja: aos “maus-modos” desse tal povão. A "educadíssima" classe média quer ser “chique”, prefere o shimbalauê da Maria Gadú.

Isso lá, na longínqua Belém. Por aqui, quando o tecnobrega “tipo exportação” desembarca no Auditório Ibirapuera, vira “cult”. O “sofisticado” público paulistano aplaude. Às vezes, com tanto entusiasmo que até a calça da mulher solitária arria. E nem podia ser diferente.

A música paraense é um sismo de batucadas rítmicas contagiantes. Faz o corpo balançar mesmo contra a vontade do dono. Se você assistiu “Será que Ele é?”, sabe o que isso significa. Numa cena memorável, Kevin Kline, no papel de um gay enrustido, tenta resistir, mas não consegue se manter parado quando ouve “I Will Survive”. É mais ou menos isso que acontece quando somos invadidos pelos ritmos dançantes do Pará.

Além do tecnobrega, tem guitarrada, chamegado, carimbó, melody. São estilos musicais que, pensando bem, não combinam muito com os assentos numerados e comportados do Auditório Ibirapuera. Dona Onete que o diga. Aos 72 anos, a diva do carimbó chamegado cantou “Amor Brejeiro” e "Jamburana" com aquela divertida safadeza brega e mostrou que o jambu é mais embaixo, onde a alegria é mais alegre. O mesmo fez a Gang do Eletro, com seu eletromelody arrasa-quarteirão: "É nóis na pressão/ É nóis meu irmão/ Vamos detonar/ Vamos endoidar".

O "sofisticado" público paulistano, por um instante, deixou a marra de lado e endoidou.

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Quer saber sobre o show, acesse o Farofafá, do Pedro Alexandre Sanches  
  

9 comentários:

  1. Eu fico horrorizado com a quantidade de 'cofrinhos' que são praticamente jogados na cara da gente assim sem o menor aviso. Uma vez eu quase me aprocheguei e depositei uma moeda.
    Já o cofrinho peludo e másculo do meu mecânico me deixou completamente desconcertado.
    Muque de Peão

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  2. Vixi!
    Não entendo nada de tecnobrega...é tipo calipyso?
    Vc foi no show porque curte o ritmo ou por interesse profssional?
    Aliás muita coisa não tô entendendo.
    O que quer dizer forró universitário?sertanejo universitário?Porque raios universitário????
    O que aquilo que o Luan Santana canta tem a ver com sertanejo?
    Muito desatualizada com os atuais ritmos dançantes.
    Adorei a cena ,que mencionastes,do filme Seráque ele é?
    Muito engraçada!
    Aqui em POrto Alegre tá frio,úmido,e cinza.
    Uma belezinha para a depressão.
    Vou pro Pará me informar sobre tecnobrega!

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  3. Maravilhosa a cultura do estado do Pará. Se existe uma música 100% nacional, sem dúvida, é a música do Pará.
    Muito bom, hoje estarei lá no ibira.

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  4. Oi Claudia...
    Fui ao show de tecnobrega por interesse profissional, mas também porque curto esse tipo de manifestação artística. E os ritmos do Pará realmente tiram qualquer um da depressão, viu. Gruda e sacode. Bj.

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  5. Moro em Belém e descordo em parte com a sua visão: "... A classe média não gosta. Associa esse estilo musical à falta de educação e à desordem pública; ao barulho e à bagunça. Ou seja: aos “maus-modos” desse tal povão. A "educadíssima" classe média quer ser “chique”, prefere o shimbalauê da Maria Gadú."
    Não se generaliza a situação. Não gosto pelo ritmo musical e não por associação de comportamento.
    Venha até Belém e verás a situação.
    Abraço.

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  6. Post muito legal! Soube do Terruá essa semana (e mesmo se eu soubesse ante$$ não iria) e esse negócio de ser cult só porque é em São Paulo é totalmente verídico. Mudou o lugar, mudou a visão.
    Abraços =)

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  7. Post muito legal Guinoza. Acompanhamos o Terruá pela TV e ficamos felizes com este post. Esperamos você aqui em Belém!

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  8. Estou enganado ou aquilo é o bico do seio da Gaby?

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  9. É UMA PENA QUE ISSO SÓ SERVE PRA LEVAR A PANELA PRA FORA DO ESTADO, NÃO É ASSIM Q O GOVERNO CANTA COM A CULTURA DO ESTADO, ISSO DEVE SER PRA ENCHER O BOLSO DE ALGUEM, SÓ VINDO AQUI PRA VER O QUE É BOM. NÃO ESSES MUSICOS QUE PASSAM O ANO TOCANDO JASS, OU NUNCA ESCREVEU UMA LETRA DE CARIMBÓ E VIVE ESTUDANDO MANBO CONFUNDIDO COM GUITARRADA,VEM AQUI PRA VER O QUE É BOM!!!

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