terça-feira, 12 de julho de 2011

Filhos de políticos em escolas públicas

O senador Cristovam Buarque

Faz um tempo, li um texto do senador Cristovam Buarque (PDT/DF) publicado na revista “Superinteressante”. Nele, o senador fala sobre sua principal bandeira: a educação. Desde que foi candidato à presidência da República, em 2006, Buarque defende a melhoria do ensino público como solução para os demais problemas do Brasil. Aliás, foi com esse discurso que ele conquistou o meu voto naquela eleição. Também acho que sem educação de qualidade para toda a população nada vai mudar neste país dominado por uma elite que vive em praias particulares, de costas para o Brasil.

No texto, o senador expõe os motivos que o levaram a criar um projeto que, infelizmente, por razões óbvias, nunca será aprovado, e que voltou a ser discutido nas últimas semanas. Escreve Buarque: “Minha proposta é a de que políticos eleitos – vereadores, prefeitos, deputados, senadores e o presidente – fiquem obrigados a matricular seus filhos em escolas públicas. Caso contrário, perderão o mandato.”

Não é genial esse projeto? Segundo o senador – que também é professor de economia da Universidade de Brasília – em lugares como Reino Unido e Singapura, os políticos já fazem isso. E se forem descobertos matriculando o filho em escolas privadas, vão parar nos jornais, tendo que se desculpar publicamente e transferir a criança para uma instituição do Estado.

O objetivo da proposta de Buarque é muito simples: fazer com que os políticos sintam na pele a baixa qualidade do ensino público do país e se mexam para melhorá-lo. Afinal, estaria em jogo a educação dos seus próprios filhos: “Se políticos tiverem de matricular os filhos em escolas públicas, elas receberão mais atenção dos governantes.”

No Brasil, ainda segundo informações do senador, enquanto os ricos (20% da população) estudam em escolas de qualidade por um longo tempo, o resto dos brasileiros estuda por pouco tempo em escolas ruins. “R$ 116,00 por mês. Esse é o total gasto pelo país por aluno para manter as escolas públicas, onde não se passa muito tempo. Em média, essa parte da população completa só 5 anos de estudo formal, geralmente entre os 7 e os 11 anos de idade”. Em pesquisa realizada pelo Instituto IP2, de Curitiba, o resultado revelou que o principal diferencial da elite brasileira na conquista de ascensão social é a educação.

Para finalizar, Cristovam Buarque manda um recado para quem acha que tal projeto fere a liberdade do político: “Todo cidadão é livre para não ser candidato. Mas, se ele opta pela vida pública, deve assumir obrigações. Esse seria só mais um de seus compromissos com os eleitores, com a nação e com a República.”

Na época em que tomei conhecimento do projeto do senador, pensei na turba de desocupados que cercava o tribunal onde o casal Nardoni/Jatobá foi julgado e no interesse da população pelo caso, com cobertura espetaculosa da mídia. Sei que um assunto nada tem a ver com o outro, mas imagino que se dispensássemos uma ínfima parte desse “clamor público” para assuntos mais importantes, como a educação das crianças, talvez o Brasil deixasse de ser uma República de bananzolas analfabetos.

É demagogia do senador? Pode até ser. Mas que é uma boa ideia, isso é. 

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Existe uma petição pública pedindo a aprovação do projeto aqui.

Um comentário:

  1. O dia em que político matricular filho em escola pública eu vou entrar para a Ford Models e modelar em Milão!

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