segunda-feira, 4 de julho de 2011

O defunto canalha

Morrer faz parte

A morte santifica o defunto. Qualquer defunto. Até o canalha, quando morre, vira santo. Joga-se para debaixo do tapete o seu histórico de canalhices e evidenciam-se apenas os seus bons sentimentos. 

Sim, até o canalha tem bons sentimentos. Veja o caso do filho do Jair Bolsonaro. Sua celebração grosseira à absolvição do deputado no Conselho de Ética mostrou que ele deve amar o pai com toda a força do seu coração – embora odeie a humanidade.

Dentro do caixão – murcho, com narinas de algodão e mãos cruzadas sobre o peito – todo defunto é idêntico. Na hora da morte, o bom e o mau se igualam – o que acho uma tremenda injustiça. Na minha opinião, devia haver um índice de fedentina para separar um do outro. Explico.

Em “Os Irmãos Karamazov”, do Dostoievski, um defunto começa a exalar um “odor deletério” ainda durante o velório. Diz o narrador: “Se o odor tivesse sido natural, como para todo pecador, ter-se-ia manifestado mais tarde, após 24 horas pelo menos”. Não foi o que aconteceu com o personagem do escritor russo. O seu defunto apodrecia antes.

Acho que devia ser assim com todo defunto. E é isso que chamo de índice de fedentina. Ou seja, quanto mais cedo o defunto começasse a cheirar mal e apodrecer, mais canalha teria sido em vida. Dessa forma, a gente saberia, de fato, se o defunto merece homenagem, pedrada ou indiferença.

Não é porque o sujeito morreu que devemos passar a respeitá-lo. O respeito se conquista em vida. E se o sujeito foi canalha em vida o será também na morte. Simples assim.

6 comentários:

  1. Os elogios aos mortos "ilustres" não eliminam a fedentina que exala deles. Mas essa, só os parentes próximos e as carpideiras de ocasião serão obrigados a aguentar.

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  2. O pior é que tem muita gente por aí que embora viva já está fedendo. Os Bolsonaros, por exemplo.
    Muque de Peão

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  3. ISso também vale para os idosos pois os canalhas também envelhecem!

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  4. Gostei da sua teoria!
    Da mesma forma, é melhor valorizar alguém em vida do que esperar que ela morra.
    Beijos!

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  5. Se seguisse a esta lógica, político nenhum poderia ter velório. É claro que estou generalizando, mas fui o movimento estudantil na faculdade, na fau/usp, e lá a carrupção corria solta. E lidávamos relativamente com pouca grana. Imagine nos salões de Brasília, nem precisa ir tão longe, qualquer cidadezinha Brasil afora. Na Rússia, vereador não ganha nada além de dor de cabeça, e mesmo assim pessoas se dedicam a política, deveríamos parar de sustentar sangues sugas! Política apenas com ajuda de gosto, sem essa de salário...

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  6. Marcos gostaria que você publicasse sua opinião a respeito do movimento Anonymous!

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