quinta-feira, 21 de julho de 2011

Afinal, quanto custa o seu orgulho?

Banheiro no Alaska

O sujeito da foto aí em cima está num “banheiro” no Alaska, sentado de frente para o Monte McKinley. Embora a vista seja deslumbrante, cagar ali, com a temperatura sei lá quantos graus abaixo de zero, não deve ser uma experiência muito prazerosa. O frio deve congelar a bunda.

Ao ver a imagem, pensei nas vezes em que, por necessidade, também tive que arriar a calça e expor o meu traseiro ao frio polar. Não literalmente, claro. Mas naquelas situações em que precisei decidir entre manter o meu cu intacto ou cedê-lo para pagar o aluguel do próximo mês. Confesso: em algumas ocasiões, acabei cedendo. Enfiei a vaidade no saco e, resignado, me vendi.

Um amigo já disse que eu me vendo fácil. Talvez. Mas nunca, jamais, em momento algum, causei mal a alguém por aceitar – ou não – negociar o meu orgulho. Esse é um embate só meu. De madrugada, movido a café, acendendo um cigarro no outro, tento sossegar o meu coração, convencer a mim mesmo de que escolhi o melhor para mim.

Certa vez, saí de uma empresa brigado com o meu chefe. Tempos depois, ele me ligou, reconheceu que estava errado, pediu desculpas e me chamou de volta. Por empáfia, eu poderia mandá-lo para a puta que o pariu, e seguir em frente. Mas aceitei – o pedido de desculpas e o meu antigo emprego. Nunca me arrependi disso. Agi errado? Fui um fraco? Não sei. Agi por necessidade e, principalmente, por não ter o hábito de remoer coisas passadas. Não sinto mágoa, rancor, raiva de ninguém. Por isso, não conservo inimigos. Deixo-os apodrecer no esquecimento.

A vida seria bem mais fácil se tudo acontecesse do nosso jeito, de acordo com nossas vontades e certezas. Mas sabemos que não é assim. Para sobreviver aí fora, precisamos aprender a negociar. Às vezes, tendo que trocar um punhado de amor-próprio por um punhado de dinheiro. Afinal, quanto custa o seu orgulho?

2 comentários:

  1. Não é questão de orgulho, Marcos. É de assumir as suas escolhas. É... pensando bem, isso pode ser orgulho mesmo. Bola fora minha... :)

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  2. Verdade Marcos... Enfiei meu orgulho goela abaixo. Desde muito jovem, militei em partidos de esquerda, lutei por causas sociais, defendi sem-tetos, sem-terras, dormi na reitoria da usp, pelo movimento estudentil, sou vegetariano e lutei por esta causa... e hj o que faço da vida? Trabalho numa empresa de geomarketing, fazendo consultoria para expansão da rede do McDonalds, Outback, Ford, Pizza Hut... Enfim, é a vida, e o capital é muito sedutor! E tbm não me arrenpendo. Para viver hj em dia é necessário ter uma moral muito flexivel, e nem digo do orgulho... Abraços e parabéns... Seus pots são sempre muito inspiradores... Luiz

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