terça-feira, 9 de agosto de 2011

o descaso nosso com a palavra escrita

muitas vezes acho os comentários dos internautas mais esclarecedores do que a notícia em si. Sempre os leio e quase sempre me surpreendo – para o bem e, principalmente, para o mal.

dia desses, navegando pelo UOL, me deparei com a palavra “absurdo” escrita da seguinte forma: “abiçurdo”. Não sei qual a idade, a classe social ou o grau de instrução do autor desse atentado à língua portuguesa. Sei apenas que o sujeito precisa voltar urgentemente para a escola.

olha, nem ligo para os milhares de erros de português que encontro no mundo virtual. Não há quem não se atrapalhe com o nosso belo e complicadíssimo vernáculo. Agora, “abiçurdo” é um absurdo!

aos poucos, o Brasil está conseguindo democratizar o acesso à internet. Hoje, somos cerca de 80 milhões de avatares navegando livres, leves e soltos pela web. Isso é positivo. É sinal de que a tal inclusão digital está em andamento. 

Mas acho que nunca antes na história 
deste país ficou tão evidente o descaso dos brasileiros 
com a palavra escrita.

num ambiente onde qualquer pessoa pode se manifestar em redes sociais e blogs, emporcalhar “caixas de comentários” sem se identificar, o nosso idioma tem sido maltratado com “requintes de crueldade”. E isso devia servir de alerta para as autoridades policiais. Alguém que escreve “abiçurdo” é capaz de cometer atrocidades bem piores e, por isso, precisa ser monitorado de perto.

parte do problema a gente sabe a causa. É esse nosso ensino público de merda. Existe, no entanto, certo menosprezo generalizado pela palavra escrita – essa piriguete que todos metem a mão, mas poucos sabem como pilotar. Parece que, na internet, tanto faz escrever certo ou errado, desde que se faça entender, que se transmita uma ideia. Ok, estabelecer comunicação é fundamental. Mas como levar a sério a opinião de alguém que, posando de inteligente e indignado, escreve exceção trocando o X e o Ç por um S e um S dobrado?

do mesmo modo que ninguém sai de casa sem pentear o cabelo, é necessário ao menos aprender a juntar letras e sílabas do modo mais correto possível antes de sair por aí escrevendo “abiçurdos”.

não precisa ser um Machado de Assis; basta consultar o dicionário. Tá tudo lá.

6 comentários:

  1. pois bem: em prova de aluno no último ano de faculdade, o que mais eu encontro é CONCERTEZA! sério! depois te falo qual faculdade...

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  2. Será? Hoje em dia me incomoda mais o que elas falam/escrevem do que quanto domínio do idioma elas têm. Parece papo de intelectualóide hipponga, e talvez seja, sei lá... mas conheço tanto letrado tão chato, mas tão chato que não aguento mais ler o que eles escrevem. (Não é seu caso, esse blog é legal).

    Beijo.

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  3. Sim, Miss Sbaile. Também não aguento ler letrado chato e acho o conteúdo mais importante que o domínio do idioma. Mas não custa puxar a orelha de quem talvez tenha boas ideias, mas as "vende" numa embalagem ruim. Bj.

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  4. Ao ler a palavra abi...
    Nâo consigo reproduzir.
    Me deu náuseas.
    Sério.
    Passo mal!

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  5. Pelos seus textos percebe-se que você combate, acertadamente, com veemência o preconceito que sofrem os homossexuais. Não teria o seu texto um leve tom de preconceito linguístico?

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