domingo, 28 de agosto de 2011

teste de tolerância

inspirada em cenas de preconceito mostradas na novela “Insensato Coração”, reportagem do jornal “O Globo” fez uma espécie de teste de tolerância pelas ruas do Rio de Janeiro, flagrando as reações das pessoas ao verem casais gays manifestando afeto em público.

o resultado do teste foi óbvio: a grande maioria se mostrou incomodada. Um homem, segundo a reportagem, balançou a cabeça em sinal de reprovação e, depois, explicou-se assim: “Acho que a praia não é lugar disso. Afinal, passam muitas crianças por aqui.”

a declaração do tal homem deve ser entendida assim:

01) Ao dizer que “a praia não é lugar disso”, na verdade ele queria dizer que os gays podem fazer o que quiserem, desde que “escondidos” entre quatro paredes;

02) Ao chamar a atenção para a presença de crianças, ele considera a homossexualidade pornográfica e, por isso, imprópria para menores de idade.

esse pensamento excludente – de “aceitação” dos gays, mas com a condição de que eles não manifestem afeto em público – é dominante, generalizado e irrestrito. E faz com que os próprios homossexuais se ocultem, evitando a exposição em lugares “inapropriados”.

a primeira vez que percebi esse comportamento em mim aconteceu há alguns anos, em uma das edições da Parada do Orgulho Gay de São Paulo. Quando eu e JK voltávamos para casa, à medida que íamos nos distanciando da parada, também fomos nos distanciando um do outro. De repente, sem a gente nem perceber, nossas mãos se separaram e nos tornamos apenas dois sujeitos barbados caminhando lado a lado pelas ruas paulistanas, sem que ninguém desconfiasse da nossa orientação sexual.

esse entra e sai do armário (dependendo do lugar onde estamos) é a atitude padrão de boa parte dos homossexuais. Em reuniões de família, quantos casais gays não se comportam apenas como amigos para não constranger os familiares? É aquela história: todos sabem, todos “aceitam”, mas todos preferem não tocar no assunto. E se há crianças na sala, melhor “preservá-las” das manifestações homoafetivas.

é a força do preconceito de quem 
domina introjetada na alma dos dominados. 

queremos ser acolhidos e respeitados pela sociedade. Em troca, aceitamos a condição que nos é imposta: “seja gay, mas não espalhe isso por aí.”

fazer com que os homossexuais se sintam mal em revelar sua homossexualidade é modo eficaz de mantê-los excluídos. Por isso, devemos lutar contra essa forma de opressão. E lutar contra esse "monstro" muitas vezes disfarçado de "simpatizante" significa superar a vergonha e o medo de mostrar ao mundo quem realmente somos.

5 comentários:

  1. Adoro você, Marcos. Você é um serzinho especial.

    Apóio suas palavras 100%. Tô com você. Nessa luta e em tantas outras conta o preconceito.

    Beijo!

    ResponderExcluir
  2. É por estas e outras que temos que lutar sempre para que imagens de cenas homoafetivas sejam mostradas em todos os canais cada vez mais. Só assim isto vai se tornar uma cena comum.
    Muque de Peão

    ResponderExcluir
  3. Hoje vi um exemplo desse na marcha lésbica. Um casal de meninas (lindas por sinal) começaram a se beijar e um casal de hétero olhou com reprovação (mas percebi o interesse da mulher) e saiu. O que me deixou feliz foi que elas não se submeteram ao preconceito, continuaram com o que todos deveriam achar normal: beijo na boca.

    ResponderExcluir
  4. Por essa razão sempre fico feliz quando vejo casais homossexuais nos shoppings, ruas...de mãos dadas, abraçados, trocando carinhos, beijos...nada vulgar, tão só ali vivendo um relacionamento como qualquer outro casal heterossexual ou homossexual.
    Tem sempre os que ficam cochichando, olhando torto e acho que deviam sentir vergonha deles mesmos, pela atitude.
    Bonito é a televisão ter programas que exibem mulheres semi nuas, até em comerciais...e isso criança pode ver né?Agora um mero selinho entre gays vai ser 'traumatizante' a uma criança...é muito triste que o povo ainda pense dessa forma.

    ResponderExcluir
  5. Infelizmente, ainda vai demorar um bom tempo até que a sociedade entenda e encare isso de forma natural.

    Mas, por enquanto, me sinto bem ao saber que eu e alguns amigos aceitamos o homossexualismo muito de boa.

    Quem dera se as pessoas tivessem a mente aberta pra isso, não é? E, mais ainda, se ensinassem às crianças que ser gay não tem problema algum. :)

    Beijos, Marcos!

    ResponderExcluir