quarta-feira, 21 de setembro de 2011

no Brasil, há plateia para tudo

o brasileiro é, por vocação, um deslumbrado – especialmente com as bugigangas que vêm do estrangeiro. Por isso, esbugalha os olhos de admiração para qualquer porcaria gringa. Repare: no Brasil há plateia para tudo. Até para o Faith No More, banda que não lança nada novo desde 1997 e se apresenta no SWU.

neste segundo semestre, é assombroso o número de atrações internacionais que desembarcam por aqui. E não duvido que, apesar dos ingressos sempre aviltantes, todas serão recebidas com casa lotada. O brasileiro adora ser plateia, frequentar, dar pinta. E adora ainda mais tagarelar a torto e direito o indefectível: “Eu vou”. E, depois, o “Eu fui”. É tudo pose. Mas funciona entre os “antenados”.

não sei em outras cidades, mas, em São Paulo, não há evento – um único evento – sem multidão. Pior. É uma multidão esfomeada. Experimente ir a qualquer evento com praça de alimentação. Tente comprar um simples copo d’água para refrescar a garganta. É o horror, o horror! A multidão esfomeada, temerosa de que a comida acabe, espreme-se como gado e não deixa um mísero espaço livre.

soube que a multidão também invadiu a XV Bienal do Livro, que aconteceu recentemente no Rio de Janeiro. Foram espantosos 670 mil visitantes em dez dias. Agora, pergunto aos cariocas: foi o livro ou foi a fofoca que atraiu tanta gente?

sabe-se que o brasileiro não é lá muito chegado ao livro. Prefere a gravidez da Beyoncé. Mas ir à Bienal é chique, faz o sujeito parecer letrado sem nunca ter lido nada além de uma receita de bolo, o horóscopo do dia ou as mensagens diárias do Paulo Coelho. Não sei, não sei... O Brasil e os brasileiros podem estar mudando.

a bela Paraty, por exemplo, é invadida por um alegre exército de “intelectuais” durante a sua Festa Literária. Mas também superlota durante o seu Festival da Pinga. Aí, fico confuso: entre o livro e a pinga, qual será a preferência nacional? Ainda aposto na bunda.

frequentar certos eventos é maneira festiva de ser, de pertencer, de fazer parte. Mesmo que o evento seja um porre. O que importa é ir, misturar-se à multidão esfomeada e, depois, publicar as fotos no Facebook e aguardar ansiosamente o “curtir” da galera.

para quem vai (ao Rock in Rio, ao SWU, à Festa da Mandioca), boa diversão!

4 comentários:

  1. Um dos melhores textos que li aqui. Quanta verdade! Não sei se você mora em São Paulo, acho que sim pelo que li aqui, e dá mesmo essa sensação de multidão. Muita gente. Tenho faniquitos.

    Só acho que isso não é mal só de brasileiro. Aqui é bem parecido... Infelizmente.

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  2. Sbaile, obrigado.
    É a multidão invadindo tudo. Logo, inventam uma rave na Sibéria. Bj.

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  3. o legal é voce perguntar para a pessoa qual o ultimo livro que ela leu e ela fazer cara de paisagem... afffff

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  4. Karina...
    adoro fazer isso com quem fica posando de "intelectual" e xingando os "iletrados". Bj.

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