quarta-feira, 28 de setembro de 2011

o dia em que eu descobri que sou “exótico”

a bicha e o japonês:

– eu tenho curiosidade de ir para a cama com um japonês.
– curiosidade?
– é.
– por quê?
– você sabe…
– eu sei?
– é. Dizem que japonês tem o pau pequeno…
– e?
– ah, a gente fica curioso.
– é mesmo? A gente quem?
– eu e alguns outros.

esse diálogo aconteceu de verdade. Faz muito muito muito tempo. E foi aí que eu descobri que sou uma espécie “exótica”, capaz de despertar curiosidade em pessoas que desejavam ir para a cama comigo só para verificar se pau de japonês é mesmo pequeno.

por algum tempo, isso me incomodou. Não o tamanho do pau. Mas ser “objeto” da curiosidade alheia. Me sentia uma dessas aves esquisitas descoberta em alguma selva remota do Sri Lanka, e com um bando de “cientistas” malucos atrás de mim, querendo desvendar os mínimos detalhes da minha anatomia.

depois, claro, desencanei. E até aproveitei para matar a curiosidade de alguns. Mas, dentro da segregação que existe no universo LGBTT, continuo fazendo parte de um “nicho” específico, assim como os ursos e os chubbies. E, quando você está fora do padrão estético “jovem ocidental branco corpo sarado e depilado”, não duvide: a discriminação será dupla – da sociedade e no meio gay.

assim é porque os homossexuais são seres humanos como quaisquer outros e têm as mesmas virtudes e os mesmos defeitos. Mas, enquanto for apenas uma questão de gosto, ok, nada demais. Se o sujeito não curte, por exemplo, homens barrigudos, não é obrigado a sair com homens barrigudos. Basta respeitar a barriga do outro. Simples assim.

esse papo de que devemos "ser todos iguais" é balela. Se assim fôssemos, acho que a humanidade já teria sido exterminada pelo tédio.

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