quinta-feira, 1 de setembro de 2011

políticos chorões

o UOL publicou um vídeo mostrando alguns políticos que se debulharam em lágrimas ao serem pegos em maracutaias. A mais recente chorona foi a deputada federal Jaqueline Roriz, que acabou absolvida pelos coleguinhas do Congresso da acusação de falta de decoro parlamentar. Eu vi – e acho que você também viu – o vídeo onde a nobre deputada aparece recebendo um gordo maço de dinheiro. Pois é, acho que a falcatrua, mais uma vez, vai ficar por isso mesmo.

não gosto de política, muito menos de políticos. E admiro demais essa brava gente brasileira que tem estômago para acompanhar o que acontece nos gabinetes oficiais desse Brasil bandoleiro. Aplausos para elas: clap, clap, clap. E vaias para mim: uuuuu! Sei que, como cidadão responsável, eu devia me interessar por política, mas sinto uma enorme preguiça só de ouvir falar em deputado, vereador, Kassab, CPI, Dilma, Sarney, corrupção, comissão de ética.

por isso, ao ver o vídeo do UOL com os políticos chorões, quase vomitei. Se fossem lágrimas de penitência, em que o choro funciona como meio de redenção, talvez eu até me sensibilizaria: “Ô, coitados! Estão arrependidos”. Mas a gente sabe que, em política, tudo é encenação para enganar trouxa.

as lágrimas, dizem os estudiosos, funcionam como palavras e podem ser sinceras ou estratégicas. Muitas vezes, é complicado diferenciar qual é qual. Assim como é complicado saber quando alguém está falando a verdade ou mentindo. A não ser, claro, que você seja o doutor Cal Lightman, o especialista em linguagem corporal da série “Lie To Me”, interpretado pelo Tim Roth.

no caso dos políticos, no entanto, a gente não precisa ser especialista em porra nenhuma para saber que choram por encomenda, como carpideiras. Sabem que estão sendo filmados e, como último recurso, derramam suas lágrimas de crocodilo para sensibilizar a opinião pública. Nem sei o que é pior: a cara de pau sorridente de um Paulo Maluf ou a cara de pau chorosa de um Roberto Jefferson.

no livro “Crying – A Natural and Cultural History of Tears”, o professor Tom Lutz, da Universidade de Iowa, nos EUA, identifica diversos tipos de lágrimas emocionais. Em um trecho, compara os choros de dois políticos do seu país. Em 1972, Edmund Muskie, candidato à presidência dos EUA, derramou algumas lágrimas. Mas, naquela época, isso foi considerado sinal de fraqueza e ele acabou renunciando à corrida presidencial mais cedo. Vinte anos mais tarde, o presidente Bill Clinton chorava publicamente nos momentos apropriados e havia um senso geral de que isso era algo bom. 

conclui Lutz: "como o significado social das 
lágrimas muda ao longo do tempo, elas passaram de politicamente desastrosas para vantajosas."

será que os chorões Jaqueline Roriz, Roberto Jefferson, José Roberto Arruda, Hamilton Lacerda, Edmar Moreira, Gerson Camata, entre outros, aprenderam a chorar nos “momentos apropriados” depois de ler o livro de Tom Lutz? É bem provável.

de qualquer forma, discordo veemente desse papo machista de que “homem não chora”, de que o choro é “coisa de mulher”. Um bom choro, dizem os especialistas, vale mais que várias doses de tranquilizantes. De um modo geral, eu me emociono com as lágrimas alheias. Menos com o choro canastrão dos políticos. Esse merece ovada na cara.

Nenhum comentário:

Postar um comentário