quarta-feira, 14 de setembro de 2011

R$ 1.000.000.000.000,00

quantos zeros são necessários para o Brasil tomar vergonha na cara? Nesta terça, 13 de setembro, o Impostômetro atingiu 1 trilhão de reais. Ou R$ 1.000.000.000.000,00. São 14 zeros. Esse é o número de zeros que governos municipais, estaduais e federal arrecadaram em impostos desde janeiro. Em relação a 2010, a marca foi alcançada 35 dias mais cedo. Agora, eu pergunto: cadê esse dinheiro?

na mesma terça, o “Profissão Repórter”, da TV Globo, apresentou a situação precária de alguns hospitais públicos pelo Brasil. “Ah, lá vem mais uma reportagem apelativa e sensacionalista!”, resmunga a patriotada de iPhone no bolso. Pode até ser. Mas se você é incapaz de se solidarizar com o sofrimento de quem depende do SUS para sobreviver, cuidado: pode haver um Taliban dentro de você.

o Brasil tem 63 impostos, taxas e contribuições. 
É o país em desenvolvimento com a mais alta carga 
tributária do mundo. 

ok, ninguém nem reclamaria se, em contrapartida, houvesse pelo menos saúde e educação de qualidade para todos. Não é essa a realidade. Ou é a Grande Mídia que exagera? Não sei. Só sei que quando vejo uma única pessoa penando para ser atendida em um hospital público, já sinto meu estômago revirar de raiva.

enquanto isso, enquanto os pobres se fodem, os brasileiros inteligentes e cheios de boa intenção no coração vêm com esse papo de que não devemos “demonizar a política”. Fácil, né? Fácil para quem tem plano de saúde Golden, filhos em escola particular, carro importado, passa o dia conectado na internet e viaja de férias para a Europa.

queria ver tanta compreensão se você, com seu filho doente no colo, precisasse correr de um hospital para o outro atrás de atendimento. E quando, enfim, é atendido, o máximo que o médico de plantão faz é receitar um antibiótico.

sei que não sou pobre o suficiente para sentir na pele o perrengue pelo qual passam os dependentes do SUS. Sei que política é algo bem mais complexo que esta simplória opinião de blogueiro sem eira nem beira. Mas que tal um pouco mais de humanidade, hein, senhores políticos? Se não sabem o significado de humanidade, eu explico: olhar para o seu semelhante com benevolência.

acho que isso é o mínimo que se espera de alguém que escolheu a política para supostamente legislar em nome do povo: humanidade. Se você, político falastrão, não tem esse requisito básico, melhor ir trabalhar no mercado financeiro.   

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