segunda-feira, 19 de setembro de 2011

a rosa do deserto

estive em Atibaia, no interior de São Paulo.

entre dezenas de plantas expostas em um pequeno pavilhão, uma me encantou mais que as outras: a rosa do deserto. Os girassóis até zangaram comigo. São as minhas flores preferidas. Mas, por alguns instantes, fui infiel, deixei os girassóis de lado, não consegui resistir à beleza exuberante daquela outra flor.

a rosa do deserto tem o caule bem mais grosso na base, uma adaptação para conservar água e nutrientes. É praticamente desprovida de folhagens. Esse “design” selvagem dá à planta um aspecto estranho e desproporcional. A natureza, no entanto, é sempre surpreendente. E, na ponta de cada ramo, que parece seco e sem vida, nasce a delicada flor com tonalidade entre o vermelho e o rosa.

Rosa do Deserto
de uma árvore com aparência disforme e grotesca, sobrevivendo em um ambiente de extrema aridez, surge a mais encantadora flor. Achei emocionante. A beleza é capaz de surgir nos lugares mais improváveis.

quase chorei. Ando quase chorando por qualquer motivo. E delirei: talvez fôssemos pessoas melhores se aprendêssemos a deixar o feio, o diferente, o estranho “florescer”, sem julgá-lo ou excluí-lo apenas por sua aparência ou condição. Quem sabe ali, no coração daquele ser devastado pela solidão e pelo preconceito, não se esconde a mão amiga, o abraço reconfortante, a generosidade?

a rosa do deserto me fez pensar na beleza que sempre achei bem mais interessante: a beleza moldada pela dor, que necessitou se adaptar às adversidades do mundo para florir. Afinal, quantos de nós não somos rosas do deserto lutando para sobreviver em meio à aspereza que nos ronda por todos os lados?

5 comentários:

  1. Pode diminuir o título do blog. Só "Idiota" define tudo e tá bom demais.

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  2. me lembrei que voce disse que semana passada tava phoda... dai voce diz que ficou emocionado e chorou com esta flor do deserto...

    pensei na flor de lótus, que só floresce na lama...

    por estas "emocoezinhas baratas" percebo que nao morremos por dentro... como eu quando assisto ao filme do cachorro que espera o dono na estacao de trem, e choro até nao poder mais...

    ainda nao morremos por dentro...

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  3. Ah, Karina.
    eh isso mesmo. Sem essas pequenas emoções, sem enxergar o belo no aparentemente feio, não vale a pena.
    Bj.

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  4. talvez fôssemos pessoas melhores se aprendêssemos que o feio, o diferente, o estranho não necessariamente vão ou precisam “florescer”, eles talvez sejam bonitos assim mesmo, nós é que não os enxergamos dessa forma.

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