quinta-feira, 15 de setembro de 2011

uma paixãozinha qualquer

eu queria ser um apaixonado. Por óvnis, por baratas, por química, por política, por música tibetana, por história greco-romana, por mecatrônica, por sexo tântrico, por qualquer assunto que fizesse eu levar uma vida de total integridade, sem concessões a coisa alguma.

sabe esses “malucos” que dedicam uma vida inteira a estudar, sei lá, borboletas? Pois eu queria ser um desses. Queria ser capaz de “mover montanhas” por uma paixão. Não interessa qual. Desde que essa paixão valorizasse a minha existência.

o problema é que, até agora, não consegui me apaixonar por nada. No máximo, gosto de uma coisinha aqui; outra, acolá. Mas não ao ponto de abrir mão do resto para me entregar de corpo e alma a esses meus interesses. Reconheço: sou um desapaixonado.

lembro que, na adolescência, comecei a aprender a tocar guitarra junto com um amigo. Ele seguiu em frente e, hoje, é um ótimo guitarrista. Eu desisti no meio do caminho. Lembro que queria ser jogador de futebol. Mas nunca fui fazer teste em clube algum. E, na minha persistente ilusão de um dia ser escritor, sabe quantos romances já iniciei e jamais terminei? Uns 15.

até este Idiota Feliz! exemplifica bem esse meu jeito aleatório de me de relacionar com as coisas. Em vez de focar em um único tema, como a maioria dos blogs, falo de tudo um pouco. E acabo não me aprofundando em nada. Assim é porque sou do tipo volúvel, sabe? Giro fácil fácil de mão em mão, de assunto em assunto, e logo enjoo de um e me interesso por outro e por outro e por outro.

falta-me paixão. A paixão verdadeira. Aquela que move os vencedores, os realizados, os satisfeitos. Ninguém é um Einstein ou um Van Gogh ou um Mozart por acaso. Foi a paixão pela ciência, pela pintura, pela música que fez esses caras abdicarem dos prazeres mundanos para se entregar inteiro às suas obras.

esses, no entanto, são gênios. Eu, como simples mortal, queria apenas uma paixãozinha qualquer para que eu tenha algo para me orgulhar antes de virar defunto. Sem paixão, a vida nada mais é que um amontoado de quinquilharias inúteis.

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