sábado, 15 de outubro de 2011

as "wanessas ofendidas"

a moda agora é posar de “wanessa ofendida”.

funciona assim: um famoso qualquer de repente passa por alguma situação em que o povo está acostumado a enfrentar diariamente. Mas, por acontecer com um famoso qualquer, a tal situação vira notícia. E a notícia se espalha nas redes sociais. Aí, todo mundo mete o bedelho (eu, inclusive). E o caso, banal e corriqueiro nesta republiqueta de quinta categoria, transforma-se em polêmica, em trending topic, em assunto do dia.

Thalma de Freitas
a cantora e atriz Thalma de Freitas, da Orquestra Imperial, foi revistada por policiais e levada para a delegacia. Parece que houve abuso de poder. Diante do histórico de atrocidades já cometidas pela PM, eu até acredito nessa versão. No Brasil é assim: “onde não é chamada/ polícia vai”, alertavam as Mercenárias lá na década de 1980.

será que Thalma foi revistada por ser mulher? Será que Thalma foi levada para a delegacia por ser mulher e negra? Ninguém sabe. Mas há ingredientes suficientes nessa historieta de celebridade para muito nhenhenhém sobre racismo, sexismo, abuso policial etc. E, nessas horas, todos fazem questão de expor a sua indignação. Ficam revoltadinhos com o constrangimento pelo qual passou a cantora. Enfim, posam de “wanessas ofendidas”.

mas casos assim acontecem todos os dias. Talvez com o seu vizinho, talvez com o seu porteiro, talvez com a sua diarista. E ninguém parece se importar muito. Afinal, são anônimos. E os anônimos, nesse mercadão nacional da hipocrisia e do deslumbramento, costumam valer bem menos que os famosos. Na verdade, sobre os anônimos sempre paira alguma suspeita: “Ah, deve ter feito algo”.

a cantora não deve ter feito nada. Apenas experimentou a humilhação pela qual passam milhares de brasileiros desconhecidos. Mas esses não interessam às “wanessas”, que só se ofendem quando as luzes da ribalta são acesas.

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