terça-feira, 11 de outubro de 2011

lembranças de infância

lembro que assistia TV em um posto de gasolina. Era a TV mais próxima da casa onde eu morava. Depois, me mudei dessa casa, onde lembro que um ferro de passar roupa caiu sobre o meu pé. Será? Lembranças de infância são sempre esmaecidas, desbotadas, confusas. Nunca sei se algumas coisas realmente aconteceram ou brotaram da minha imaginação.

se o ferro de passar roupa caiu mesmo sobre o meu pé, por que eu não me lembro da dor que devo ter sentido?

se eu caí de uma ponte, como me contaram, por que eu não me lembro dessa queda?

se eu comia jabuticabas trepado na árvore, por que eu não me lembro do gosto?

na outra casa, passei a assistir TV na casa ao lado, onde morava minha tia. Às vezes, almoçava com meus primos. E, numa vez dessa, olhei pela porta e vi meu pai chegando com uma TV sobre os ombros. Tomei um susto. E larguei a colher na mesma hora. Meu pai não gostava quando eu almoçava lá.

enfim, a minha casa teria a sua primeira TV. Mas, embora eu me lembre nitidamente do dia em que vi meu pai com aquela TV sobre os ombros, não consigo me lembrar do que aconteceu em seguida.

será que, mesmo assustado, eu terminei de almoçar? Será que eu saí correndo para ver a TV novinha em folha que meu pai carregava sobre os ombros?

voltar à infância levado pela memória às vezes é inventar um mundo cheio de aventuras, medos e jabuticabeiras que nunca existiu de verdade.

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