quinta-feira, 13 de outubro de 2011

o coveiro e o vira-lata

tem gente que diz amar cães, gatos e outros animais. Eu até acredito que amem mesmo, do fundo do coração. Desde, claro, que o animal em questão tenha pedigree.

se for um cão Bully Kutta ou um gato Scottish Fold, melhor ainda. Por serem raros e incomuns, esses animais devem ser muito desejados por pessoas que apreciam certa exclusividade – a mesma exclusividade de quem é dono, por exemplo, de uma Bugatti de US$ 2 milhões.

em Mamborê, cidade do interior do Paraná, um cão passou a morar no cemitério depois que o seu dono morreu. Após ficarem sabendo da comovente história, várias pessoas foram até o cemitério com o intuito de adotar o cachorro. Mas, ao verem o animal, “mudavam de ideia”, contou o coveiro Sidinei Ramos. E por que mudavam de ideia? Elementar, caro leitor. Rambo, como o coveiro passou a chamar o cão, é um vira-lata. E por ser um vira-lata, foi rejeitado por todos.

esse tipo de amor (condicional) aos animais é mais comum do que a gente imagina.

outro dia, na rua, uma velha encarquilhada passeava com seu poodle quando um vira-lata se aproximou. Na mesma hora, ela pegou o seu cãozinho fofo e branquinho no colo e, raivosa, espantou o outro batendo os pés no chão. Eu vi. E desejei muito que o vira-lata mordesse a perna inchada da velha.

assim é: a gente ama os cães, os gatos e as criancinhas. Desde que esses cães, esses gatos e essas criancinhas não sejam vira-latas vagando à toa pelo mundo. Esses, a gente amarra numa motocicleta e sai arrastando pela rua, como aconteceu com uma vira-lata em Araçatuba, no interior de São Paulo. (Leia a notícia aqui)

depois, ainda tem imbecis que fazem chacota do Peter Singer, o filósofo australiano para quem bicho e gente são a mesma coisa. Pensando bem, não são, não, Singer. Bicho não maltrara outro bicho pelo simples prazer perverso de assistir ao sofrimento alheio.

Um comentário:

  1. pior disso tudo e verdade... todo mundo gosta do belo e do fofo e o resto q se foda

    ResponderExcluir