terça-feira, 18 de outubro de 2011

o elevador

o elevador parou no 9o andar. A porta se abriu. Três pessoas ocupavam o exíguo espaço: duas mulheres e um homem. Entrei. A placa informava que o elevador tinha capacidade para oito passageiros. Dei uma espiada rápida no cubículo. Sim, no aperto, no sufoco, naquela promiscuidade abjeta de um fungar no cangote do outro, certamente oito pessoas poderiam se acomodar ali dentro.

por sorte, ninguém mais entrou no elevador. A viagem, porém, não foi lá muito tranquila. Uma das mulheres não parou de falar um segundo sequer. Papagueou sua insatisfação com as atitudes do namorado do 9o andar ao térreo. A outra ouvia em silêncio. O homem às vezes desviava o olhar para a fulana tagarela. E eu, quieto no meu canto, tive vontade de calar a boca da infeliz no tapa.

olha, elevador não é lugar para conversa. Ao entrar, cale-se, interrompa o mexerico por um ou dois minutos, não ocupe o espaço do outro alardeando as suas lamentações. Saiba que o mundo não está nem aí para você e os seus problemas.

enfim, o térreo. E a mulher continuava falando.

assim que a porta se abriu, as pessoas que aguardavam o elevador, em vez de esperar a gente sair dele para depois embarcar, tentam entrar antes e congestionam a saída. Por quê? Por que as pessoas fazem isso, meu Deus?!

consegui me desvencilhar dos afoitos. E quando fui deixar o prédio, dois sujeitos conversavam bem na porta, obstruindo a passagem. Pedi licença. Ambos nem olharam para mim. Apenas deram dois passos para a esquerda e continuaram o papo. Saí. Lá fora caía uma garoa fina. A mulher do elevador passou por mim. Continuava falando.

resolvi voltar a pé. Nada de ônibus ou metrô. Chegaria molhado em casa, mas pelo menos manteria distância segura da patuleia sem noção.

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