quinta-feira, 10 de novembro de 2011

o imponderável


... e se eu acordasse e, ao abrir os olhos, percebesse que não estou no meu quarto, mas dentro de um disco voador, sendo abduzido por alienígenas verdes de pernas finas?

claro, eu me assustaria. E logo chegaria à mais óbvia conclusão: fodeu!

mas juro que tudo que eu queria agora era que algo assim acontecesse. Algo inesperado, surpreendente, capaz de chacoalhar a vida, de desorganizar o tempo, de virar meu mundo de cabeça pra baixo.

existe uma chatice insuportável na paz de todo dia. Esse “mais do mesmo” movido a café e cigarros e ovo frito que vai amortecendo os sentidos, apagando as vontades.

eu gosto de sangrar, de sentir na pele os imprevistos, de me ver à beira de um precipício. Um soco no estômago hoje seria bem-vindo. Sexo selvagem em algum lugar público também. Quem sabe jogar o carro contra o poste pra ver o que acontece?

o problema é que eu sou do tipo precavido. Não sei “fazer acontecer”. Preciso que a bala perdida me encontre. Não sou maluco o suficiente pra me colocar como alvo. Pra me mover, necessito do imponderável, da surpresa, do susto. E faz tempo que não tenho uma fratura exposta, uma paixão avassaladora, uma gargalhada incontida.

a vida, meu caro, é um nhenhenhém paralisante. E eu só me sinto vivo quando sinto que sou capaz de morrer de amor, de medo, de raiva. 
 
que um raio, então, caia sobre a minha cabeça pra me tirar desse zumbi-tédio.
   

2 comentários:

  1. marcos, pensei nisto estes dias... que as vezes me sinto naquele filme onde todos os dias da vida do cara se repete sabe? sempre o mesmo dia!

    no meu caso, a repeticao é de outras coisas... com algum vies, va la, mas... MAS TO PRECISANDO DE MUDANÇA NA VIDA!

    sem raios na cabeça, mas que ela venha entao!

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  2. Marcos Guinoza, Marcos Guinoza, eu adoraria ser seu amigo! Que identificação tenho encontrado em seus textos, ah!

    Parabéns! Abraço.

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