segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

ho-ho-ho fobia

fui ao shopping. Repito: cometi a grande cagada de entrar num shopping center na semana que antecede o Natal, essa celebração que, dizem, é realizada para lembrar o nascimento do menino Jesus. Pergunta: quem lembra? 

o shopping estava abarrotado de gente neurótica e esbaforida, comprando e comprando e comprando. E lá se vai o 13o dos coitados. E logo vem a fatura gorda, bem gorda, do cartão de crédito. 

no Natal, presentear é preciso. Mesmo que, para isso, você tenha que passar o próximo ano inteiro endividado até os dentes. 

e não pense que qualquer presente serve, que o que importa é a sua boa intenção. Mentira! Experimente dar um par de meias para quem esperava por um Veloster, da Hyundai. Ou um quebra-cabeça de 1.000 peças para quem desejava um X-Box 360 4GB com Kinect.         

de boas intenções, o inferno está cheio. O que as pessoas querem mesmo é grife. 

não sei você, mas eu, mesmo com uma preguiça imensa dessa “festa estranha com gente esquisita”, acabo me sentindo pressionado por esse clima de hiperconsumo natalino. É como se eu fosse um “monstro” por não presentear ninguém, por não desejar “Feliz Natal” pra ninguém, por sofrer de ho-ho-ho fobia. 

fico pensando no mal que essa onda de alegria consumista deve causar a quem não tem grana para gastar; ao pai que perdeu o emprego e, na pindaíba, não pode presentear os filhos. Depois, algum doido sai por aí dando tiro em Papai Noel e todos fingem que não entendem o motivo. 

fui ao shopping para retirar dinheiro no caixa eletrônico. Para meu azar, o caixa eletrônico estava sem dinheiro. A senhora atrás de mim, carregada de sacolas de compras nas mãos, ficou puta e, com expressão carrancuda, esbravejou um ou dois palavrões. 

a reação destemperada da mulher foi a mais completa tradução do que entendo por Natal. Ou você depois de amaldiçoar Deus e o diabo por causa dos congestionamentos infernais, de shoppings e supermercados lotados e da má edução das pessoas ainda acredita que Natal é época de confraternização e amor ao próximo?    
        

3 comentários:

  1. Desde que passei o primeiro Natal na casa da minha sogra, menos tenho vontade de "comemorar o Natal".
    A versão de "Natal" é muito diferente do que conhecia: solene, quieta e com amigo oculto! Impossível presentear a todos! É loucura! Presentear por obrigação e não por que o coração diz simplesmente não poderia existir!
    Minha versão de Natal de paz, foi obrigada a ir às lojas!
    Odeio ter que minha filha veja este Natal consumista, com bebedeiras e palavrões!
    O pior disto tudo é que minha filha conhece este tipo de "Natal" e sou "obrigada" a fazê-la passar por isso para não criar clima mais tenso!

    Ano passado foi diferente... minha sogra viajou com minha filha para viajar de férias. Morri de pena da minha filha!
    A sorte dela é que ela ficou junto da família do meu marido!
    Amo a família toda do meu marido, mas em toda família existe um ou mais "ovos podres"!

    Queria postar sem ser "anônima", mas estamos em época de "Natal"... não posso criar "contendas", mas precisava desabafar!
    Pronto falei!

    Ps: Sou uma idiota feliz... deprimida, tomo anti-depressivo, vários quilos além do limite!
    E meu marido ainda me disse que eu sou uma "pobre menina rica"!
    Alta Estima cadê você?

    Putz! Será que meu marido que trabalha com tecnologia e vive de sistemas vai achar meu post?

    A riqueza de detalhes me condena!

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  2. Olá, cresci numa família que assiste ao "programa de Natal" todos os anos, que vai dormir antes da meia noite e comemora O NASICMENTO DE JESUS no dia 25. Em 2006 passeio o Natal no hospital com um pequeno bebê nos braços, então, sim, ainda existe esperança e ainda existe NATAL... Comemoro o nascimento de Cristo e o aniversário do meu filho no mesmo dia. Quer presente melhor que este? Brincos, perfumes, roupas, calçados, etc... nada disso paga estar reunido com a família, matar a saudade daqueles amigos que vc já não vê a um tempo pela correria do ano e ainda de quebra celebrar o aniversário de um filho querido! O NATAL não é só feito da data mas da maneira que vc constrói esse dia na sua mente e no seu coração... Se a sociedade é consumista, problema dela, pra mim o mais importante é a união familiar que a data proporciona! Seja feliz ao lado daqueles que você ama, é o que importa! O resto é só o resto...

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  3. Eu admito...sofro de ho-ho-hofobia MESMO!!! Detesto o natal...é um sofrimento quando novembro chega...é deprimente!!! Não sei se é por causa da "falsidade" que inunda minha vida nesse período! Affeeee....o relacionamento entre meus familiares parece com uma guerra de gangues nas favelas do Rio de Janeiro! Quando chega o natal, é aquela falsidade...mas é uma falsidade fajuta, já que ninguém consegue ser tão bom ator a ponto de fingir que está tudo bem...:/. O natal aqui funciona assim: Chega o dia do natal, vão todos para a casa dos meus avós que, apesar de morarem na mesma casa, há anos não se falam! Alguns filhos tomam partido de um enquanto outros tomam partido do outro...aí fica aquela guerrinha muda, encoberta por uma finíssima camada de cordialidade (afinal, a ocasião pede!).

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