quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

orgulho

sinto grande orgulho quando consigo dizer NÃO para certas coisas.

não ao cupcake.
não ao Dráuzio Varella.
não ao peru de Natal.
não ao iPhone.
não ao verão (e ao calor pornográfico do verão).
não ao carnaval.
não ao disco novo da Marisa Monte.
não à academia de ginástica.
não ao alface.
não ao novo livro do Jô Soares.
não à depilação masculina.

não! não! – e não!

a gente é sempre pressionado a seguir com a “multidão”. Se algo vira moda ou é bajulado pela imprensa, logo somos tentados a aderir.

repare: quando você vê ou lê uma reportagem dizendo que a “nova onda” nos restaurantes paulistanos é “o velho miojo em versão chique e deliciosa”, você não sente uma vontade danada de experimentar?

pois então, resistir à essa tentação me enche de orgulho. Dar de ombros para esses modismos faz eu me sentir ainda mais dono dos meus próprios gostos e escolhas.    

na fila do pão, ouvi uma mulher bonita dizer para a outra:

– tô malhando igual uma louca. Quero ficar com o corpo legal para o verão.

observando a mulher, acho que ela nem precisava “malhar igual uma louca” pra “ficar com o corpo legal”. Mas como resistir às dezenas de reportagens que, nesta época do ano, mostram mulheres correndo para as academias a fim de ficarem em forma para o verão?

“se todas vão, eu também preciso ir” – deve pensar a mulher da fila do pão.

ora, não é porque todos resolveram gostar do Criolo porque é “cool” gostar do Criolo que eu também devo gostar.

na medida do possível, tento escapar do oba-oba. Sim, muitas vezes essa minha atitude não passa de orgulho bobo. Mas prefiro assim.
 

2 comentários:

  1. Antes orgulho bobo que a tal "atitude", Marcos! Um abraço.

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  2. Wagner (warodrig@terra.com.br)8 de dezembro de 2011 10:46

    Não ao disco novo da Marisa Monte! Letras bobas, melodias bobas, interpretação boba...

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