quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

a cracolândia sob ataque

na Dinamarca, existe um lugar chamado E-huset. É espécie de clínica onde alcoólatras se internam não para se livrar do vício, mas para continuar bebendo. Isso mesmo! Lá, ninguém está a fim de salvar ninguém de nada. Quem habita um quarto do E-huset é livre para beber até morrer. 

saiba mais sobre o E-huset aqui. 

na Suíça, existe uma instituição chamada Dignitas. O lugar recebe pessoas que buscam o suicídio assistido (quando uma pessoa não consegue concretizar sozinha a sua intenção de morrer e pede o auxílio de outro indivíduo). Na Dignitas, com a aplicação de um coquetel de barbitúricos, a morte chega em não mais do que 30 minutos. 

saiba mais sobre a Dignitas aqui. 

enquanto isso, na cosmopolita e avançada São Paulo, o Estado, com apoio de grande parte da população, resolveu eliminar a cracolândia da paisagem paulistana. Assim, de uma só vez, na base da porrada e da repressão, com a polícia tratando os viciados como se fossem bandidos. 

o plano de ataque aos craqueiros faz parte do projeto de revitalização da região da Luz, no centro da cidade. Retira-se dali a “sujeira” para que novos e higiênicos espaços de cultura sejam erguidos no lugar. O sofisticado público paulistano agradece. 

e os craqueiros? E os direitos dos craqueiros? E a liberdade individual de se fazer o que quiser com a própria vida, como acontece no E-huset e na Dignitas? Não, não pode. O Estado está aí para "cuidar" de você, repreendê-lo, proibi-lo de fazer "mal" a si mesmo.

funciona mais ou menos assim: "Olha, se você quiser ajuda, nós oferecemos as instalações precárias do SUS. Mas se você continuar 'sujando' a cidade, vai levar porrada".

sem outra opção, espancados pela polícia, os craqueiros migram para outras localidades. Acredito que quando deixarem de vez as regiões nobres da cidade, instalando-se nas periferias, as autoridades e a classe dos cheirosinhos ficarão satisfeitas. 

afinal, quem se importa com o que acontece longe dos olhos?
        

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