sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

esse nosso jeitinho filho da puta de ser

falam e falam com orgulho sobre o tal “calor humano” do brasileiro. 

falam também da espontaneidade (que eu chamo de falta de educação), da alegria (que eu considero irritante) e da cordialidade (que eu acho coisa de gente bunda-mole). 

dos japoneses, ao contrário, fuxicam que são frios, metódicos, estranhos, certinhos demais. 

pois bem, no Japão, poucos meses após o terremoto seguido de tsunami que arrasou com algumas cidades do país, estradas estavam reconstruídas e o governo de Fukushima, após recalcular o número de vítimas e de casas destruídas pela tragédia, devolveu o equivalente a R$ 180 milhões à Cruz Vermelha. 

se o dinheiro da organização humanitária era para socorrer vítimas e há menos vítimas do que o estimado, devolve-se o excedente. Simples assim.             

enquanto isso, no espontâneo, alegre e cordial Brasil, um ano após a tragédia anunciada que matou mais de 900 pessoas na região serrana do Rio de Janeiro, das 73 pontes destruídas, apenas uma foi erguida. Pior. Houve desvio do dinheiro destinado às obras de recuperação das áreas atingidas. 

taí. Esse é o tal “calor humano” do qual todos se orgulham. 

ah, mas o povo é bom, os políticos é que são filhos da puta. Pode ser. Mas esses caras não estão no poder por mágica. Estão lá porque o povo os colocou lá. 

muitos acreditam que este país tem jeito. Eu não. Se roubam até desabrigados, quem serão as próximas vítimas? Crianças com câncer? 

porra, de que adianta esse tal “calor humano”, essa imagem de “boa gente”, essas "bundas alegres" se, quando precisamos provar que somos civilizados, escancaramos “o nosso jeitinho filho da puta de ser”? 

não faço questão de tapinhas nas costas nem de sorrisos simpáticos. Prefiro pessoas que sejam honestas e paguem os meus honorários em dia.
    

2 comentários:

  1. É, tapinhas nas costas não pagam nossas contas, né, Marcos? Quem quer nos pagar em tapinhas nas costas sabe muito bem disso. Dá uma vontade danada de retribuir o tapinha nas costas com um tapão na orelha do sorridente. Um abraço.

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    1. É bem isso, Érico. Tenho ódio mortal dessa "informalidade brasileira", em que tudo é resolvido na base do tapinha nas costas. Isso contamina tudo. Já demoraram mais de três meses para me pagarem por um trabalho. Tive q ficar "mendigando" algo q era meu por direito. Abs.

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