terça-feira, 24 de janeiro de 2012

quem é você de verdade?

é bem complicado manter essa máxima do Ralph Waldo Emerson: “insisti em vós mesmos; jamais imitai.”

um exemplo.

imagine que você assiste ao “Big Brother Brasil”, está em uma mesa de bar com umas dez pessoas e todas dizem, com sua raivinha infantil, que esse programa é uma merda e devia ser extinto da TV brasileira por medida judicial ou algo assim (não se espante. É dessa maneira que agem os “pequenos ditadores” do nosso dia a dia). 

o que você faz?

levanta-se num brado retumbante e assume que assiste e gosta do “BBB” – ou se cala?

em geral, acho que acabamos seguindo com a boiada. Ou por medo ou por vergonha ou por preguiça. Fingimos concordar com a maioria para não sermos tachados de “imbecis alienados”. E, assim, mentindo para nós mesmos, vamos nos falsificando.

este é apenas um exemplo. Existem milhares de outras situações em que costumamos nos “esconder” para escaparmos das vaias.

ser livre, pensar livremente, insistir naquilo que acreditamos, é a coisa mais difícil do mundo. Diante do senso comum, da moda da estação, da opinião de pessoas que julgamos mais inteligentes do que nós, somos uns tímidos, uns medrosos. Não nos atrevemos a dizer “eu discordo”.

pois bem. Eu assisto ao “Big Brother Brasil”. E não recorro a nenhuma explicação sociológica, filosófica, esotérica ou o que seja para que os outros “compreendam” o meu interesse pelo programa.

assisto porque gosto. Simples assim.

dessa forma, aos poucos, devagarzinho, vou tentando ser eu mesmo, sem “imitar” ninguém, sem me proteger sob opiniões alheias.

sim, posso estar errado, posso mudar de ideia, posso ter um péssimo gosto, posso cair do cavalo e quebrar duas costelas. Mas esse sou eu. Goste-se ou não.

e você, quem é de verdade?
     

5 comentários:

  1. Engraçado que a gente, em muitos casos, em nome de uma relativa aceitação num grupo (boteco, trabalho, até em casa) engole o que não gosta, justifica o que não quer, explica o que não precisa. Pra que? Não é tão fácil escapar disso, mas não é impossível. É bom tentar, pelo menos. Um abraço, Marcos.

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  2. olha, conforme fui ficando mais velha fui cada vez menos aceitando isto... será que maturidade é isto? aprender a nao se anular tanto?

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  3. Eu pago um preço sim por ser autêntica, sou chamada de radical, de maluca, de bipolar, de recalcada, de burra, enfim...com tudo isto só aprendí uma coisa, que sofrendo ou não, nunca vou deixar de ser eu, que gostando ou não, esta é a cabeça que eu tenho e que tudo o mais...vá pro inferno !!!

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  4. Acabei de ler o seu ótimo "vou até ali abraçar um mendigo".
    Sabe onde está o Brasil desconectado? Assistindo BBB.

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    1. Sonia, será que é assim tão simples? Será que assistir a um mero programa de TV é suficiente para definir quem somos?

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