quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

acordos de convivência doméstica

viver junto é foda. Mas, ainda assim, acho bem melhor que viver sozinho se empanturrando de miojo e punheta. 

falo isso porque já vivi tendo como únicas companhias as paredes, os cigarros e as baratas. 

sem ninguém pra brigar de vez em quando, sem ninguém pra reclamar das minhas porquices, sem ninguém pra assistir um filme comigo, sem ninguém pra vigiar meus instintos suicidas, eu podia fazer o que bem entendesse – até pular pela janela.  

durante o dia, ok. Eu saía pra trabalhar e ficava fora até o sol se por. A solidão batia pra valer de noite, quando eu voltava pra casa. 

olha, não há nada mais triste que abrir a porta do apartamento noite após noite e encontrar lá dentro somente escuridão, poeira, silêncio e comida congelada. 

num dia qualquer, aconteceu. Eu me apaixonei e, movido pela paixão que tritura e engole tudo, resolvi morar junto, dividir o meu metro quadrado com outra pessoa. 

e lá fui eu levando comigo o meu jeito de arrumar as gavetas. E lá veio ele com o jeito dele de arrumar as gavetas. Demora, viu! Demora certo tempo até a gente encontrar um jeito nosso de arrumar as gavetas. Enfim, depois de muitos socos & pontapés, encontramos. 

mas essa busca por um convívio mais harmonioso, de comum acordo, não acaba nunca. É desafio diário de tolerância, generosidade, compreensão, renúncia e paciência. 

pra viver junto é necessário, de tempos em tempos, ir fechando novos acordos de convivência doméstica. Às vezes, impondo; outras vezes, cedendo. Mas jamais abandonando a própria vida para viver a vida do outro. 

sim, há milhares de casais em que uma das partes faz o papel da “vítima obrigatória”, submetendo-se a todas as vontades do parceiro para não perdê-lo, para manter a relação, e simular felicidade. 

confesso: agi assim durante um período. Mas percebi a tempo que a gente só consegue ser feliz ao lado de alguém quando tem amor próprio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário