sei bem como é. Você não estava a fim, não queria correr
atrás do trio elétrico, mas todos ao seu redor pareciam tão alegres, tão
entusiasmados com esse tal Carnaval que você se deixou levar pelo oba-oba e
caiu na folia.
é difícil mesmo resistir ao bombardeio. E não apenas no
Carnaval. Ainda temos pela frente a Páscoa, o Dia das Mães, o Dia das Crianças,
o Dia dos Namorados, o Natal, o Réveillon. Em todas essas “datas de
felicidade”, somos praticamente “forçados” a participar.
você liga a TV, acessa a internet, vai até a padaria da
esquina, e parece que ninguém pensa ou fala em outra coisa. Para escapar,
talvez só viajando para o Sri Lanka.
é a força da multidão desembestada arrastando tudo que
encontra pela frente. E quem prefere se ausentar dessas “festas” é logo xingado
de chato, mal-humorado, infeliz. A mim, podem xingar à vontade. Tô fora!
mesmo assim, mesmo ausente por livre e espontânea escolha, a
opressão é tanta que às vezes tenho a sensação de que estou perdendo algo importante,
de que deveria ter me juntado à patuleia e caído no samba.
depois, relaxo. Lembro que sempre procurei evitar a multidão, optando por andar só, com as minhas próprias pernas e ideias. Assim, passei o melhor Carnaval da minha vida: dentro de casa, assistindo a muitos filmes, trabalhando e dormindo.
o mais incrível é que não morri por causa disso. Na verdade, estou muito bem, obrigado! E, enfim, já posso sair para a rua sem ser incomodado pelo zirigui-pum alheio.

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