domingo, 25 de março de 2012

Felicidade barulhenta


em certo momento do filme Compramos um Zoológico (We Bought a Zoo), Rosie, de sete anos, vai até o quarto do pai, Benjamin (Matt Damon), e reclama que não consegue dormir por causa dos vizinhos. O pai pega a menina no colo e, pela janela, observa a ruidosa festa que acontece na casa ao lado. Rosie dispara: “A felicidade deles é barulhenta demais”.

é nesse momento que Benjamin – ainda arrasado devido à morte da mulher e tendo que cuidar dos dois filhos – decide mudar de casa, de vida, e compra o tal zoológico.

primeiro filme de ficção do diretor Cameron Crowe (Quase Famosos, Jerry Maguire) desde 2005, Compramos um Zoológico é leve e divertido – aquele tipo de filme para assistir domingo à tarde. E como bônus tem Scarlett Johansson no elenco.

explicado o filme, volto ao que realmente me interessa aqui: a frase de Rosie, interpretada pela pequena Meggie Elizabeth Jones: “A felicidade deles é barulhenta demais”.

assim como Rosie, também perco o sono com o barulho da felicidade alheia. E num país como o Brasil, onde “ser estrondosamente feliz” faz parte da identidade nacional, é preciso muito Rivotril para suportar as bundas alegres descendo na boquinha da garrafa.

imaginemos por um instante que o grau de civilidade de um povo fosse medido pelo volume de decibéis. Quanto mais alto o volume, menos civilizado seria o povo. Agora pense no Brasil, um país onde as pessoas costumam falar aos gritos, ouvir música ruim nas alturas, meter a mão na buzina do carro em qualquer situação. Pensou?

pois bem, qual seria o nosso grau de civilidade?

sei que quanto mais tristes estamos, mais achamos barulhenta a felicidade dos outros. O problema é que, no Brasil, nem precisamos estar tristes para nos sentirmos invadidos pela algazarra alheia.

Assista ao trailer aqui

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