sábado, 17 de março de 2012

os insistencialistas


dizem que o “brasileiro não desiste nunca”. É verdade.

entrei numa loja de roupas. A vendedora, uma insistencialista profissional, perguntou se podia me ajudar. Com educação, respondi que, se precisasse de algo, eu a chamaria. Ela avisou que havia camisas em promoção “muito bonitas e baratinhas”. E que eu ia gostar.

ora, como ela pode saber dos meus gostos tão particulares sem nem me conhecer?

repeti: “Se eu precisar de algo, te chamo”. A vendedora insistiu: “O senhor tem certeza que não quer ver as camisas?”. Respondi: “Tenho”. Ela, com um sorriso forçado no rosto, mudou de estratégia: “Se o senhor estiver procurando alguma coisa específica, eu posso mostrar para o senhor”.

olhei para a cara da vendedora, virei as costas e saí da loja.

acho que deve haver um limite para a insistência e os insistencialistas desconhecem esse limite. Acham que insistindo, persistindo, perseverando vão conseguir tudo o que querem.

não é bem assim.

há coisas na vida – muitas! – que você jamais vai alcançar, jamais vai ter, jamais vai ser. E quando percebemos isso, a melhor opção é desistir e partir para outra.

por que insistir num relacionamento desgastado? Por que insistir num trabalho que você detesta? Por que insistir em querer me vender camisas em promoção “muito bonitas e baratinhas”, como fez a vendedora?

ninguém gosta de desistir. É como se desistir fosse o reconhecimento do nosso fracasso. E às vezes é. Às vezes fracassamos mesmo. Mas e daí? Qual o problema em fracassar? Em assumir que erramos, que não fomos capazes de suportar a pressão?

pior é insistir e insistir e insistir, e morrer insistindo.
 

Um comentário:

  1. desistindo de desistir. legal o post sobre o exodus. estou tentando trocar o lexapro pelo exodus: batalha com o psico do psiquiatra.

    =P

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